• Aumento da safra e acesso a crédito rural trazem boas perspectivas para o PIB Agro 2015

    Mais uma vez o agronegócio brasileiro tem mostrado que é uma das forças motrizes do país. O 4° levantamento de grãos divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) nesta quinta-feira, 09/01/2015, mostrou um aumento de 4,5% na safra de 2014/2015. São 8,75 milhões de toneladas a mais que o registrado no período anterior. A cultura de soja tem destaque com aumento de 11,5% na produção, apesar das condições climáticas adversas, embora seja importante ressaltar que o total de área de plantio de grãos aumentou aproximadamente 766 mil hectares. Esse incremento no total da área produtiva nacional representa a confiança do agricultor no cenário para o agronegócio brasileiro.

    Outra boa novidade para o ano agrícola de 2014/2015 é que as operações de crédito nos primeiros seis meses do período já são recordes para o período. Os agricultores familiares, por exemplo, obtiveram créditos para investir em tratores, colheitadeiras, sistemas de armazenagem, recuperação de pastagens e ações de preservação ambiental. As mulheres agricultoras fizeram mais de 306 mil contratos para investimento em atividades agrícolas.

    Esses dados mostram que o PIB Agro de 2015 tem chances de ser melhor que o de 2014. Os produtores possuem acesso ao crédito, a demanda por alimentação é grande e não fica restrita aos limites do país. A Ministra Kátia Abreu deixou claro que será grande o esforço do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para agilizar ações estruturais com outros órgãos do governo e manter a situação positiva para o agronegócio.

  • O campo e a vocação para o protagonismo econômico

    Com um cenário econômico complicado em 2015, o agronegócio terá um papel fundamental na performance da economia brasileira nos próximos 12 meses. Com uma participação no PIB que normalmente se aproxima dos 23%, os produtores e setores ligados ao campo estão preparados para contornar a conjuntura atual.

    Segundo a Sociedade Nacional da Agricultura, o Brasil deve bater novo recorde na safra de grãos este ano. A safra anterior registrou 200 milhões de toneladas de grãos. A evolução no volume da safra se deve ao aumento da área plantada no Brasil e também à produtividade do setor. Já na pecuária, a expectativa do setor é um aumento de 18% nas vendas de carne bovina para o mercado internacional, com foco majoritário na China.

    Em entrevista recente, a Ministra Kátia Abreu declarou que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vai intensificar as ações de capacitação e auxílio ao pequeno produtor, além de garantir estrutura e apoio para que mais empresários possam exportar carne, aumentando assim a distribuição das receitas internacionais que entram no Brasil, além de oferecer aos criadores de gado de corte maiores opções no abate.

  • Kátia Abreu: Ampliação da ingestão de frutas e verduras reduziria gastos com saúde


    O consumo de frutas e hortaliças é um hábito saudável e que previne doenças, mas não está presente na mesa dos brasileiros, que admitem estar insatisfeitos com a qualidade da sua alimentação. Na avaliação da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), criar ações de marketing para ampliar o consumo de alimentos saudáveis e programas de reeducação alimentar que incentivem o consumo de frutas entre as crianças são algumas iniciativas para melhorar os hábitos alimentares da população e, assim, reduzir os gastos públicos com saúde.

    Pesquisa mostra que brasileiro gasta apenas 6,2% de sua renda com frutas, legumes e verduras.

    A CNA divulgou hoje, em Brasília, resultado de pesquisa encomendada pela entidade para avaliar o consumo de frutas, legumes e verduras no País. A pesquisa, que ouviu 1.420 pessoas responsáveis pela alimentação de suas famílias, apontou a necessidade de alteração dos padrões alimentares dos brasileiros. De acordo com o estudo, 16% dos entrevistados têm problemas de obesidade e 34% apresentam sobrepeso.

    Segundo especialistas, esse quadro poderia ser revertido com o aumento do consumo de frutas, legumes e hortaliças. Os dados da pesquisa mostram que o consumo de frutas é muito reduzido, confirmando os dados do Ministério da Saúde que apontam que apenas 18,2% da população brasileira ingerem a quantidade de frutas recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 400 gramas diárias, o equivalente a quatro bananas ou três maçãs por dia.

    Após divulgação dos resultados, a senadora Kátia Abreu ressaltou o potencial do mercado externo e citou como exemplo a China. “Se cada chinês consumisse uma banana a mais e acrescentasse uma maçã à sua alimentação diária, passariam a consumir 53 milhões de toneladas de banana e 46 milhões de toneladas de maçã”, disse a senadora. Esses volumes estão muito acima da atual produção brasileira: 7 milhões de toneladas de bananas e 1,3 milhão de toneladas de maçãs.

    Kátia Abreu declarou que os produtores brasileiros têm condições de produzir mais, desde que a fruticultura possa contar com políticas específicas para o setor. “O Brasil é o terceiro maior produtor do mundo e tem uma produção irrisória diante da extensão territorial e do potencial do País”, afirmou.

    Com informações Agência CNA

  • Arco Norte, o Eldorado da logística

    Qualquer que seja a nossa visão do Estado, quer sejamos mais liberais ou mais intervencionistas, todos concordamos em que nas sociedades modernas cabe ao Estado a responsabilidade pelas políticas macroeconômicas, que assegurem a estabilidade dos preços e o maior nível de emprego possível.

    Mas, além disso, em economias não ainda suficientemente maduras, como a brasileira, cabe ao governo um papel indelegável de planejamento setorial, com o propósito de orientar o investimento público e articular o investimento privado, de modo que o crescimento das atividades produtivas não seja interrompido ou prejudicado pela oferta inadequada de infraestrutura ou de recursos humanos e institucionais.

    O Brasil hoje é um caso exemplar de sucesso econômico, obtido devido à manutenção de políticas econômicas racionais por sucessivos governos.

    Porque tivemos a sabedoria de escolher a continuidade -e não a ruptura-, estamos progressivamente nos tornando uma economia mais forte e socialmente mais justa.
    Mas o crescimento econômico está cobrando algumas contas atrasadas.

    O Estado ainda não foi capaz de criar uma capacidade mínima de planejamento que proporcione uma visão de longo prazo e que nos poupe dos estrangulamentos que hoje limitam a continuidade do crescimento.

    Também não foi capaz de desenvolver competências gerenciais e executivas que dessem à maioria das agências do governo um mínimo de capacidade.

    Apesar de fundamentais para vários setores da atividade produtiva, faço essas reflexões para chamar a atenção para uma grave distorção que afeta a nossa produção de grãos.

    As regiões agrícolas localizadas acima do paralelo 15 (regiões Norte e Nordeste, metade norte da região Centro-Oeste e norte do Estado de Minas Gerais) que, em 2001, respondiam por apenas 32% da produção nacional de milho e de soja, hoje colhem 52% do total do país.

    Nesse período, a produção nacional desses grãos cresceu 65%.

    Mas os sistemas de escoamento, além de precários, comprovam a fragilidade do planejamento governamental, com os portos do Sul e do Sudeste embarcando cerca de 84% do total movimentado dos dois grãos; os portos do que chamamos Arco Norte -de Porto Velho a São Luis- escoam apenas 16% da produção nacional.

    A morosidade inexplicável na licitação do porto de Itaqui, em São Luiz (MA), de Outeiro, no sistema de Belém (PA), do licenciamento da ampliação do porto de Santarém e dos investimentos públicos em Porto Velho impedem o pleno uso da capacidade portuária desses locais.

    Da mesma forma, não há explicação para a falta de investimento nos grandes sistemas fluviais dos rios Madeira, Teles Pires/Tapajós e Tocantins, que poderiam ser transformados em grandes hidrovias.

    Todo esse complexo permitiria o escoamento adicional de 10 milhões de toneladas (algo em torno de 23% do total embarcado no país) pelos portos dessa região, baixando os custos de produção e descongestionando os portos do Sul e do Sudeste do país.

    É fundamental destacar que se trata de uma alternativa capaz de operar a custos moderados que podem ser, em sua maior parte, compartilhados com a iniciativa privada por meio das PPPs (Parcerias Público-Privadas).

    Os projetos do Arco Norte são uma nova alternativa de logística de grande capacidade. Implementados, podem reduzir o preço do frete da saca de soja em mais de 13%.

    E isso não é pouca coisa, uma vez que, no Brasil, os custos com logística podem comprometer cerca de 21% da renda do produtor -ante 5,3% nos Estados Unidos e 5,8% na Argentina.

    Investimentos na logística do Arco Norte aumentarão a nossa tão comprometida competitividade nos mercados mundiais, em especial diante dos da Ásia. E, quando falamos em competitividade, não estamos privilegiando um setor. Estamos falando de mais renda, de mais empregos, de alimentos mais baratos e de desenvolvimento para o Brasil. Simples assim.

  • De quintal a reserva legal

    O Brasil prosperou, e já não é quintal; mas, como exportador de alimentos, tornou-se réu ambiental

    Houve um tempo em que os Estados Unidos se referiam ao Brasil, em tom jocoso, como “o nosso quintal”, dito que aqui acatávamos como fatalismo humilhante.

    Os tempos mudaram, o Brasil prosperou, não obstante exibir ainda imenso contencioso de problemas. Mas já não é quintal.

    No setor agrícola, por exemplo, o Brasil passou, a partir de meados da década dos anos 1970, de importador de alimentos à autossuficiência.

    Duas décadas depois, já disputava na linha de frente o mercado mundial como exportador.

    Está hoje entre os três maiores exportadores mundiais, com potencial para superar os outros dois.

    Nessa condição, deparou-se com outro tipo de pressão. Tornou-se réu ambiental.

    Embora toda a revolução agrícola aqui processada, graças ao uso intensivo de tecnologia, tenha ocorrido praticamente sem expandir a área de plantio -a ocupação produtiva cresceu, em meio século, apenas 5%, de 23% para 28%-, o país está na lista negra das ONGs (organizações não governamentais) ambientais -a maioria estrangeiras.
    É acusado de predador ambiental, não obstante, nesse período, a área preservada dentro das propriedades tenha aumentado 68,5%, já que nelas passou a ser exigido um percentual de vegetação nativa.

    Hoje, o Brasil é o único grande produtor de alimentos a ter 61% de seu território intocado.

    Não há nada semelhante no planeta, e os produtores brasileiros jamais postularam a redução dessa área de vegetação nativa, que, na Europa, é de -pasmem- 0,2% e nos Estados Unidos, de 23%, para citar apenas as duas regiões que sediam as ONGs que mais veemente pressão política e moral exercem sobre nossa produção rural.

    O termo “reserva legal”, que consta do Código Florestal, só existe aqui. É uma jabuticaba jurídica, que não agrega nenhuma função ambiental. Foi-nos imposta por essas ONGs, que não se mostram tão indignadas com a degradação ambiental em seus próprios países. Se “reserva legal” fosse unanimidade, não existiria só no Brasil.

    O que está em pauta é uma guerra pelo mercado de alimentos, em que o ambiente é mero pretexto.

    Alguns nela embarcam de boa-fé, por inocência e desinformação; outros, de má-fé mesmo. Duvidam?

    Pois leiam o relatório “Farms here, forest there” (“Fazendas aqui, florestas lá”), da Shari Fem, David Gardiner & Associados, publicado em dezembro do ano passado.

    Já no título, diz-se o que se pretende: que o Brasil arque sozinho com o ônus ambiental, enquanto os Estados Unidos cuidam da produção de madeira e de alimentos.

    O documento, disponível no site da ONG Union of Concerned Scientists, faz minucioso estudo sobre os ganhos dos setores agropecuário e madeireiro norte-americanos, se obtiverem o que o relatório propõe: produção, aqui (Estados Unidos); preservação, lá (florestas tropicais -Brasil).

    Vejam este trecho do relatório: “A agricultura dos Estados Unidos e as indústrias de produtos florestais podem se beneficiar financeiramente com a conservação das florestas tropicais por meio de políticas climáticas, (…), que poderiam aumentar nossa receita agrícola de US$ 190 bilhões para US$ 270 bilhões entre 2012 e 2030”.

    Em outro trecho: “Proteger as florestas tropicais através de financiamentos climáticos permitirá aos produtores de biocombustíveis nos Estados Unidos prosperarem com menos preocupações sobre o impacto ambiental de sua produção”.

    A síntese está nesta frase, de Dwayne Siekman, da Associação de Produtores de Milho de Ohio: “Parar o desmatamento tropical é uma vitória para a competitividade da agricultura dos EUA (…)”.

    Esses interesses estão mais do que nunca exacerbados com a perspectiva de aprovação, no Senado, do novo Código Florestal. Não se trata, porém, de ambiente, mas de luta por mercados. Querem nos passar de quintal a reserva legal.

    O que é espantoso é a adesão entusiástica, quase religiosa, da militância ambientalista do Brasil, endossando as mesmas teses, mesmo as mais desonestas, em nome de não se sabe bem o quê.

    Do interesse da população brasileira é que não é.

    Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo em 23/07/2011.

  • O atual Código Florestal prejudica, sim, a agropecuária brasileira

    Durante audiência pública conjunta entre a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), a senadora Kátia Abreu (TO) defendeu a aprovação do novo Código Florestal. “Estamos há 15 anos tentando aprovar uma mudança. Não podemos adiar a votação de um Código Florestal que criminaliza 95% dos produtores rurais de todo o país”, declarou.

    Kátia Abreu informou que apenas 27% do território nacional está ocupado com atividades agropecuárias e que o restante está preservado. Afirmou também que se for somada a área preservada dentro das fazendas (94 milhões de hectares) aos 400 milhões de hectares de terras indígenas, o país tem 61% do bioma original preservado. “O produtor rural está fazendo a parte dele. Mais do que isso é decretar a sentença de morte no Brasil e transformar o país na reserva legal do mundo”, completou.

    Segue arquivo com áudio da entrevista concedida pela senadora Kátia Abreu após audiência pública.

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  • Os governos não podem tudo

    O SUCESSO do agronegócio brasileiro não foi o resultado da ação do setor público, mas da livre iniciativa, do espírito empreendedor de nossos agricultores, que se moveram para os ermos do Centro-Oeste, correndo riscos desproporcionais e hipotecando na empreitada o seu próprio destino.

    Há 40 anos, essa região era ainda um quase vazio econômico, desprovida de infraestrutura, sem rodovias ou acesso a portos, sem falar na ausência de facilidades urbanas, que fez da vida desses modernos pioneiros e de suas famílias uma saga de grandes privações e padecimentos pessoais.

    A história deu certo e a produção se elevou tanto que a escala econômica dos problemas atingiu um nível-limite. O governo não pode mais fingir que o Centro-Oeste não existe. Quando se inicia nova colheita recorde de grãos e de fibras, repete-se o velho drama dos caminhões se arrastando por estradas absurdas para, ao final, acabarem retidos em filas intermináveis nos acessos aos portos do Sul e do Sudeste, congestionados e precários, mas os únicos a que os produtores podem recorrer.

    A geografia da produção mudou, mas as estruturas logísticas continuam a corresponder ao Brasil de ontem. Se tomarmos como divisor geográfico o paralelo 15 sul, verificamos que ao norte dessa linha estão localizados 52% da produção nacional de soja e milho. No entanto, apenas 16% do total da produção é escoado pelos portos da região, enquanto os demais 84% são forçados a recorrer aos portos do Sul e do Sudeste.

    Além dos inconvenientes desses sistemas logísticos, os custos adicionais de transporte capturam parte da renda dos produtores, o que ajuda a explicar o paradoxo de uma agricultura competitiva nos seus processos de produção, ao lado de agricultores empobrecidos.

    Estudo recente mostra que o transporte de uma tonelada de soja da fazenda ao porto custa, em média, US$ 20 a um agricultor argentino, US$ 18 a um norte-americano e US$ 78 a um brasileiro. Nossos agricultores são melhores, mas mais pobres que seus concorrentes, já que não podem repassar seus custos particulares para preços que são fixados nas Bolsas internacionais.

    Um desenho logístico racional faria a inversão dessas rotas. A produção dos territórios acima do paralelo 15 sul pode e deve ser escoada pelos portos do Norte e do Nordeste, num sistema que chamamos Arco Norte, que consiste em rodovias, hidrovias, ferrovias e portos que demandam investimentos absolutamente compatíveis com os recursos do governo brasileiro. Muitas dessas estruturas já existem, precisando apenas de obras de ampliação e melhoramento. Outras podem ser concedidas à iniciativa privada.

    Os governos não podem tudo. Principalmente, não podem tudo ao mesmo tempo. Por isso, são medidos na história pela qualidade das escolhas que fazem.

    Neste momento em que, como bem expressou um editorial da Folha, a infraestrutura do país segue rumo ao colapso, o governo deve à sociedade uma explicação cabal e convincente sobre a razão de promover com dinheiro e facilidades públicas um trem de alta velocidade entre o Rio e São Paulo, ao custo de mais de R$ 33 bilhões. Será que a economia não tem outros problemas e outras prioridades?

    Com metade desse dinheiro, poderíamos ampliar e modernizar os portos de Porto Velho, Santarém, Belém e Itaqui, no Norte, e de Pecém, Suape e Salvador, no Nordeste. Sobraria ainda dinheiro para adequar as rodovias que alimentarão essas rotas, como a Cuiabá-Santarém, e concluir as hidrovias do Madeira e do Tocantins.

    Para tudo isso serão necessários cerca de R$ 14 bilhões, menos da metade do trem-bala e com um efeito extraordinário sobre a produção, a renda dos agricultores e a diversificação territorial da economia, sem falar no alívio que representará para as estruturas logísticas do Sul e do Sudeste.

    Numa sociedade democrática, os governantes não podem ter caprichos. Os recursos do Estado pertencem à sociedade e a ela devem reverter.

    Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo em 02 de abril de 2011

  • O preço dos alimentos

    O PREÇO dos alimentos está em alta em todos os mercados há alguns meses. Em consequência, a agricultura começa a entrar na agenda política. Essa súbita atenção deve ser bem apreciada por todos, uma vez que produtores rurais, salvo em épocas de crise, são quase sempre negligenciados pelos governos. A experiência, contudo, recomenda precaução. A crise não é boa conselheira, mas campo propício a medidas improvisadas, que buscam aplausos, mas não produzem soluções.

    Antes de qualquer coisa, devemos indagar por que os preços estão subindo. Se quisermos respostas precisas, temos de ignorar os suspeitos habituais. É o caso dos mercados futuros de produtos agrícolas. A exemplo dos mordomos de filmes policiais, eles podem até parecer, mas não são os culpados. Por uma razão elementar: com exceção de períodos curtos, as cotações ali não se descolam dos fundamentos que regem a oferta e a demanda dos produtos.

    Mercados futuros, na verdade, ajudam a dar transparência ao processo de formação dos preços. Outro suspeito são as ocorrências climáticas, em especial secas e inundações. O papel desses fatores é real, mas grãos e carnes são produzidos hoje em tantas latitudes diferentes que essas ocorrências influem de forma bem mais limitada.

    A elevação do custo da comida afeta a todos e temos de lidar com o problema de forma objetiva. Nesse sentido, o primeiro passo é reconhecer sua causa. Os preços estão subindo em virtude da elevação da demanda nas regiões pobres do mundo, em especial na Ásia, onde centenas de milhões de pessoas estão saindo da miséria e comendo mais, comendo melhor.

    A solução então é produzir mais grãos, mais carnes e mais frutas. Afinal, seria desumano, para dizer o mínimo, desejar que os pobres comam menos. Controle de preços, formação de estoques e outras modalidades de intervenção de governos na atividade privada não funcionam. E a história mostra que a agricultura e o agricultor só precisam de liberdade para acomodar preços de forma a remunerar o produtor, sem punir o consumidor.

    Os últimos governos compreenderam a questão e não cederam às tentações intervencionistas. No entanto, leis anteriores à revolução agrícola dos anos 1970 continuam sendo obstáculos à expansão da produção rural. É o caso do Código Florestal, que veio à luz na década de 1960, quando o Brasil tinha agricultura incapaz de abastecer até o pequeno mercado doméstico de então.

    Se não incomodavam a agricultura estagnada e sem futuro de antes, alguns aspectos dessa legislação são nocivos aos interesses do país hoje. E sem nenhuma vantagem para a natureza. O fato é que o Código Florestal precisa ser revisto e atualizado. Do contrário, ficará seriamente comprometida a capacidade da nossa agropecuária de responder aos aumentos da demanda interna de alimentos. Não será possível, tampouco, atender as novas demandas do mundo emergente.

    As mudanças pelas quais lutam os produtores não se destinam a aumentar o desmatamento. Eles querem apenas que as áreas de produção, abertas com grande sacrifício e elevados custos, quando a legislação permitia, sejam reconhecidas e regularizadas, e não criminalizadas com efeito retroativo.

    A esterilização dessas áreas é um retrocesso que só pode interessar aos países que concorrem conosco no mercado mundial e estão em desvantagem. Afinal, somos o segundo maior exportador de alimentos do mundo e um dos únicos em condição de aumentar a produção preservando o ambiente.

    O Brasil hoje é outro. Em 1960, éramos 70 milhões de brasileiros, importávamos comida e tínhamos 200 milhões de hectares na produção de alimentos. Agora, ocupamos 230 milhões de hectares, somos 191 milhões e temos uma agropecuária moderna, que assimilou tecnologias, gera empregos, distribui renda e produz com eficiência, e de forma sustentável, comida de qualidade para o mercado interno e o mundo.

    Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo em 19 de março de 2011

  • Verdade ambientalista versus fundamentalismo

    O que parecia impossível, acontece: estamos às vésperas de começar a conhecer, com precisão científica, o que o Brasil pode e não pode fazer com suas terras, seus rios, lagos, montanhas e florestas. E mantendo o equilíbrio da natureza, preservando as manifestações de vida, animal e vegetal, e, a um só tempo, liderando a produção mundial de alimentos. Todo esse conhecimento será alcançado por cientistas e pesquisadores brasileiros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e das instituições parceiras, que começaram o trabalho e têm desde já os recursos necessários assegurados.

    Ufa! Finalmente, a questão ambiental neste país se desloca da defesa fanática de dogmas para o conhecimento científico sistemático.

    Quem está em campo sabe (e como sabemos e sofremos!) que o jogo do ambientalismo e da ecologia no Brasil é um vale-tudo. Não tem regras. Uns poucos se autodenominam “defensores da natureza”, conseguem franquias de ONGs internacionais ou criam as suas próprias, arrecadam muito dinheiro para definir o bem e o mal e lançar suas sentenças arbitrárias. Isso pode, isso não pode, decidem. Espalham avaliações, frequentemente difamatórias, contra quem escolhem para bode expiatório. O que decidem passa em julgado, sem apelação.

    Já a sociedade, perplexa e generosa, preocupada com a qualidade de vida, as mudanças climáticas e a própria sobrevivência do planeta, submete-se a toda sorte de exageros, superstições e invencionices, até mesmo porque as opiniões arbitrárias vêm sempre mescladas com as melhores e mais comoventes prescrições. As próprias leis ambientais brasileiras, mesmo as consensuais, revelam generosidade e ignorância, pois, em sua maioria, não têm nenhuma base científica e experimental.

    Por outro lado, ONGs exploram a insegurança, a debilidade institucional e a antropofagia política de uma nação que tardiamente, mas efetivamente, está driblando as suas contradições e avançando no bom caminho da ordem democrática. Os paradigmas que nos querem impor refletem o remorso, a hipocrisia e, principalmente, o poder econômico dos povos até agora ditos desenvolvidos e que através de milênios de História desconstruíram suas paisagens e não têm mais condições de recompô-las. Desta vez, porém, sofrerão um contra-ataque que não esperavam, num país tropical e exótico, como nos olham.

    Estou escrevendo sobre o Projeto Biomas, a ser conduzido pela Embrapa, envolvendo 240 pesquisadores de várias instituições e uma história de sucessos – descobertas, invenções, experimentações – que tornaram o Brasil o terceiro maior exportador mundial de alimentos (na verdade, o segundo, pois a União Europeia, hoje em segundo lugar, não é um país, mas a soma de 27 países). O Projeto Biomas é a oportunidade de ouro para a agropecuária brasileira, escorada no conhecimento científico, mostrar seus compromissos éticos e produzir sem medo.

    Escolhidos por algumas ONGs, na impostura ecologista que encenam impunemente, para o papel de “Judas em Sábado de Aleluia”, os produtores rurais apostam na verdade. Por intermédio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estão contribuindo com R$ 20 milhões para que a Embrapa, com independência e autoridade acadêmica, desenvolva o Projeto Biomas.

    Fui tão longe e esqueci o que devia ter sido o começo da conversa: biomas. O que são biomas? Uma palavra nova, criada há pouco mais de 50 anos – formada por “bio”, vida, e “oma”, conjunto -, designa áreas que apresentam uniformidade de paisagens, clima, solo, subsolo e predomínio de espécies vegetais e animais. No Brasil temos seis biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. O Projeto Biomas pretende reunir, em seis vitrines tecnológicas de 5 milhões de metros quadrados cada (uma em cada bioma), conhecimentos e experiências para consolidar uma espécie de “bula”, apresentação minuciosa das paisagens e dos solos de cada bioma nos 851 milhões de hectares do Brasil, acompanhada de “indicações” e “modo de usar”, apresentando a forma de uso da terra compatível com o potencial ambiental.

    O Projeto Biomas tornará disponíveis informações tecnológicas para todos, democrática e gratuitamente, em especial para os pequenos e médios agricultores, que não podem pagar por elas. E contarão, também, com 350 instrutores treinados pelo sistema CNA/Senar (o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) para orientá-los – são os transferidores de tecnologia. Será a primeira iniciativa que inclui os agropecuaristas como protagonistas de uma importante ação ambiental.

    O Projeto Biomas agrega, não alimenta conflito. Vai substituir as “opiniões”, “intuições” e a absurda orientação ideológica que transforma dogmas em legislação sobre quantos metros a mais ou a menos de margens de rios e topos de morros devem ser preservados. Agora, prevalecerá a orientação científica, pesquisada e experimentada. É a nossa opção pela ciência e uma declaração da nossa confiança na Embrapa e nos pesquisadores do Brasil.

    Os produtores sabem que não há produção sem água ou em solos degradados. Sabem que nada cresce sem o equilíbrio da biodiversidade, tão importante para o controle de pragas e doenças.

    Ou, como ouvi outro dia de um velho pesquisador, adaptando inconscientemente um jargão do seu passado socialista à regra de ouro que resultará do Projeto Biomas: “A cada bioma, segundo as exigências de preservação da sua natureza; a cada agropecuarista, nos limites estabelecidos para uso econômico das suas propriedades.” A utopia fundamentalista não se cumpriu, mas a verdade ambientalista no Brasil será realidade.

    Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo no dia 22 de março de 2010