• O Globo: Kátia Abreu, a ‘direitinha’ mais querida da esquerda

    Jornal O Globo publicou neste domingo (18) perfil da senadora Kátia Abreu. Veja a íntegra:

    Kátia Abreu, a ‘direitinha’ mais querida da esquerda

    Fidelidade à Dilma pode fazer senadora, representante de proprietários rurais, ser despejada do PMDB

    Mariana Sanches

    SÃO PAULO — “A situação está assim porque vocês são agnósticos, não são tementes a Deus. Eu estou com os joelhos em carne viva de tanto rezar”. Entre a provocação e a repreensão, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) circulava entre os ex-colegas de ministério do governo Dilma Rousseff, dias antes do julgamento da petista no Senado, tentando elevar o moral da tropa. Católica, de direita, representante dos grandes proprietários rurais, ela se tornara uma das principais defensoras do governo esquerdista. No dia do veredicto dos senadores, no plenário, interpelou cada um dos pares para pedir que votassem contra a cassação dos direitos políticos da ex-presidente. Vinha gestando o plano do fatiamento havia pelo menos um mês e, semanas antes da sessão final, conquistara o apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros, para a ideia.

    Sem a colaboração de Kátia, a equipe de defesa de Dilma admite que a tese teria poucas chances de prosperar. Usando como argumento um livro escrito pelo então jurista Michel Temer, ela foi fundamental para produzir o resultado em que Dilma perdeu a cadeira, mas não a possibilidade de se candidatar outra vez. E, contra si, consolidou a má vontade do agora presidente e de seus aliados, que tentam expulsá-la do partido.

    — Para gente que é petista, defender a Dilma ainda era mais fácil, o óbvio. E teve gente que não fez muito. Imagine o que é isso para ela, com a bagagem dela, o eleitorado dela. A Kátia entrou em uma disputa política em que só tinha a perder, e ela sabia disso — diz a ex-ministra do Desenvolvimento Social Tereza Campello.

    Em meio a maior polarização política desde a redemocratização do país, a pecuarista ousou cruzar a linha entre direita e esquerda e vive agora uma situação política delicada. Despertou a ira de petistas quando foi indicada ao Ministério da Agricultura, em 2014. “Ousada” foi o adjetivo mais leve usado pelos correligionários para classificar a escolha da presidente. Kátia tinha feito sua carreira política apoiando candidatos tucanos, atacando o ex-presidente Lula na tribuna do Senado, contrariando as agendas dos movimentos sociais que apoiavam o PT. Em 2010, os petistas comemoraram quando ela foi acusada de crime eleitoral por arrecadação irregular de recursos. No ministério, atribui-se a ela não só a conquista de mercados externos para os produtos agrícolas brasileiros como a taxa zero de reforma agrária da gestão Dilma, que enfureceu o MST.

    O jogo virou quando, diante da debilidade política da presidente Dilma, os ruralistas decidiram pedir o impeachment da mandatária. Tanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), da qual Kátia é presidente afastada, quanto a Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), para a qual ela era uma grande líder, embarcaram na tese do afastamento na primeira hora. E exigiram que Kátia deixasse o cargo.

    — Não dava. Quer dizer que quando servia aos interesses deles, era bom eu ser ministra. Quando mudaram de lado, eu tinha que abandonar a presidente? Popularidade vai e volta, mas dignidade não se recupera — defende-se a senadora, que passou a ser tachada pela CNA como inimiga do setor.

    Com uma ponta de ressentimento, ela afirma que a confederação chegou a presenteá-la com uma caneta Mont Blanc quando assumiu o ministério. Procurado pela reportagem, o presidente interino da CNA, João Martins, recusou-se a comentar o assunto. Em maio, Martins assinou uma circular enviada aos fazendeiros associados em que descartava a possibilidade de retorno de Kátia ao órgão. Martins tentava desmontar um boicote armado pelos ruralistas, que pretendiam dar calote na contribuição sindical que sustenta a instituição caso a presidência fosse reassumida pela senadora.

    ‘NÃO DÁ PARA NÃO PENSAR EM MACHISMO’

    Qualificada pelo ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner como “a direitinha mais querida da esquerda”, Kátia está às vésperas de um despejo político. Será julgada pela Comissão de Ética do PMDB e pode perder a filiação.

    — Que ética tem esse partido para julgar a minha? — dispara a senadora, que afirma que não fará “nenhuma força nem para ficar, nem para sair”.

    A punição máxima à senadora conta com o apoio de figuras de proa do partido. Boa parte do ministério de Temer é favorável à ela, incluindo o ex-governador do Rio Moreira Franco.

    — Minha motivação (em fazer o pedido de expulsão) é que ela não tem compromisso com o partido e a posição dela em defesa da Dilma só solidificou essa percepção — afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, autor da ação contra a senadora.

    Geddel já disse que as ações de Kátia se justificam porque ela é “amiguinha” de Dilma, mas ao GLOBO evitou repetir a expressão para “não fazer intrigas”.

    Kátia rebate os argumentos de Geddel dizendo que ele, o senador Romero Jucá e o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, homens fortes de Temer hoje, não sofreram punição quando apoiaram o presidenciável Aécio Neves em detrimento da chapa Dilma-Temer.

    — Não dá para não pensar em machismo em relação a mim. Na política ainda existem muitos coronéis que adoram mandar em mulher — afirma Kátia, que já foi festejada pelas feministas por ter jogado uma taça de vinho no atual chanceler José Serra (PSDB-SP) em uma festa, depois que ele a chamou de “namoradeira”. — Serra acha que pode tudo, que é um ser especial, que merece aplausos.

    Bem-humorada e despachada, a ministra mantém em seu gabinete no Senado um Sansão, coelhinho de pelúcia usado pela personagem dos quadrinhos Mônica para bater nos inimigos. E fez questão de não tirar da parede o retrato da ex-presidente Dilma com a faixa presidencial. Retira a dramaticidade de suas circunstâncias, rechaçando que tenha cometido suicídio político. Nem de longe ela considera que vive o pior momento de sua vida.

    Goiana, Kátia nasceu em uma família de classe média baixa. Aos 20 anos já estava casada com um rapaz de origem humilde que, por meio de empréstimos bancários, comprou uma fazenda em um local que mais tarde comporia o estado do Tocantins. O marido comprava as primeiras cabeças de gado quando morreu em um acidente de avião. Deixou a viúva Kátia aos 25 anos, grávida de dois meses do terceiro filho do casal.

    — Eu era dona de casa, fazia sabão de banha, enchia linguiça, mas não sabia a diferença entre um boi e uma vaca. Todo mundo me recomendou vender a fazenda e abrir um “negócio de mulher”. Neguei, mudei com as crianças para a fazenda e fui aprender o trabalho com os peões. E me recusei a contratar um gerente. Se eu contratasse alguém, ele ia acabar mandando em mim — conta a senadora, que só voltou a se casar há um ano e meio, depois que seus filhos, todos batizados com nomes tupi-guarani, já eram adultos.

    — Filho dos outros não é todo mundo que aguenta — justifica-se.

    Como forma de tentar atenuar seu desgaste político, Kátia mergulhou na campanha eleitoral municipal em Tocantins. Na última semana, percorreu 20 cidades em quatro dias. Nega que tenha sido hostilizada em algum desses eventos, apesar do ambiente pouco simpático a ela. O estado é marcadamente ruralista e muito pouco simpático ao PT.

    — O reduto político dela é do agronegócio, a insatisfação é enorme. Por dedução matemática e política, se a eleição fosse hoje, ela não se reelegeria. Mas o tempo passa — afirma o deputado federal Marcos Montes (PSD-MG), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura.

    RECONSTRUÇÃO DA BASE ELEITORAL

    Kátia tem mandato até 2023. Até lá, terá um certo tempo para reconstruir sua base eleitoral e para encontrar uma nova legenda que a abrigue, caso a expulsão do PMDB se confirme. Lideranças do PT reconhecem reservadamente que seria constrangedor filiá-la. Tampouco o PSDB se mostrou simpático à ideia. Mais provável é que Kátia migre para o PR ou o PSD. Ela, no entanto, nega sentir aflição sobre o futuro. Quem a conhece garante que a tranquilidade é genuína. A ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, com quem a senadora criou relação de confiança a ponto de fazê-la posar para foto ao lado de uma vaca em feira agropecuária, resume:

    — Kátia Abreu não tem medo de ser Kátia Abreu. Sacode a poeira e dá a volta por cima.”

    Foto: Reprodução

  • “Eu não mudei de lado”, diz Kátia Abreu em entrevista

    Veja abaixo a íntegra da entrevista concedida pela senadora às Páginas Amarelas da revista Veja

    “Eu não mudei de lado”

    A senadora explica por que apoiou Dilma Rousseff até o fim, mesmo contrariando seu partido e sua base eleitoral
    Por Thaís Oyama

    Desde muito antes de ser chamada pelo PT de “ruralista reacionária” e “rainha da motosserra”, a senadora Kátia Abreu já era boa de briga. Aos 25 anos, quando seu marido, fazendeiro, morreu em um acidente de avião, ela ignorou o conselho dos irmãos para abrir “um negócio de mulher” e assumiu a administração das terras que ele deixou, no Tocantins. Seis anos depois, era presidente do sindicato rural da segunda maior cidade do estado. Em 2008, já senadora pelo DEM, foi eleita presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a primeira mulher a ocupar o posto. No impeachment de Dilma, de quem foi ministra e se tornou melhor amiga, Kátia voltou a comprar briga, mas, desta vez, cerrando fileiras com petistas. Do processo, saiu rompida com a CNA, criticada por produtores rurais e ameaçada de expulsão por seu partido, o PMDB, agora no poder. Nesta entrevista, ela explica as razões pelas quais ficou com Dilma até o fim, fala dos erros e ressentimentos da agora ex-presidente e diz que os últimos meses lhe ensinaram “que não existem esquerda e direita, mas problemas a ser resolvidos e causas pelas quais vale a pena lutar”.

    Ao apoiar a ex-presidente Dilma até o fim, a senhora ficou isolada no PMDB, perdeu a presidência da CNA e até parte do apoio do setor agrário. Por que sustentou uma posição com tantos prejuízos políticos?
    Isso tudo pode até ter acontecido, mas fico indignada quando as pessoas dizem: “Ela está fazendo isso porque é amiga da Dilma”. Primeiro, não defenderia ninguém em quem não acreditasse, mesmo sendo amiga. Segundo, eu não era amiga da Dilma, não fiz parte da história dela, não fui presa com ela. O que aconteceu foi que ela, como presidente, me deu liberdade e meios para fazer no Ministério da Agricultura tudo o que sempre sonhei. Ela me conquistou pelo atendimento que deu ao meu setor, a começar pela aprovação do Código Florestal, que pôs fim a dezessete anos de desespero dos produtores rurais, criminalizados, humilhados. A amizade começou com uma relação pragmática, e cresceu a partir daí. Depois, o mandato de senadora e o mandato da CNA fazem parte da minha vida, mas não são minha vida. Sou mãe, mulher, tenho netos, amigos, tenho valores dos quais não abro mão nem sob tortura.

    Há quem a acuse de mudar de lado para ficar com Dilma.
    É engraçado. O meu partido pertencia à base aliada do governo. Na reeleição de Dilma, o senhor Romero Jucá e o senhor Geddel Vieira Lima apoiaram quem? Aécio Neves. O meu partido é também o partido do vice-presidente da República. Mais: os que estão agora usufruindo o governo de Michel foram os que brigaram para que ele não fosse vice. E eu é que mudei de lado? A opinião pública e a imprensa também têm de decidir o que quer de nós, políticos. Se a pessoa não é ética e muda de posição, pau nela. Se é ética e mantém sua posição, é burra. Fui chamada por um jornalista de politicamente burra. “Você se destruiu, você cometeu suicídio político.” Veremos. A história dirá.

    A senhora vai continuar no PMDB?
    Não vou fazer movimento para ficar nem para sair. Quero ver se a democracia interna do PMDB funciona ou é da boca para fora. Não sou obrigada a fazer o que o PMDB acha que tenho de fazer. Mesmo porque não mudei de lugar. Não fui apoiar outro presidente, não desobedeci à convenção nacional, como o senhor Jucá, o senhor Geddel, os Picciani e companhia limitada, que apoiaram o Aécio. Então, por que só comigo? Quero ver se são democratas. Durante esse tempo, não fiz nenhum ataque pessoal ao Michel ou ao partido. Só respondi mal ao Jucá porque ele falou que eu iria virar líder do MST. Eu disse que ele já era mundialmente conhecido como líder do movimento para abafar a Lava-Jato. Isso saiu no Le Monde. Então, vou aguardar para ver o que o partido vai fazer, se vai me expulsar.

    A senhora acreditou em algum momento que seria possível reverter o resultado do impeachment?
    Acreditei. Tinha muita gente insatisfeita. Até segunda-feira, cheguei à noite em casa e tínhamos os 29 votos, todos conversados, com Dilma, comigo e com outros.

    A ex-presidente acreditava?
    Menos que nós, era mais cética.

    Ao trabalhar para preservar os direitos políticos de Dilma, a senhora pode ter criado a brecha para beneficiar outros políticos enrolados, como Eduardo Cunha. Isso é bom?
    Você acha justo dizer: “Não vou dar esse salvo-conduto a você porque senão fulano vai sair beneficiado”? Aí, eu enterro você por causa de fulano? Isso não é justo. Depois, cabe aos deputados avaliar o caso de Cunha na hora de votar a cassação. É uma questão de consciência de cada um. Além disso, Cunha será enquadrado na Lei da Ficha Limpa e, de qualquer maneira, não poderá ser candidato.

    Dilma quer se candidatar?
    Um dia, brinquei com ela: “Quer ser candidata no Tocantins? Eu teria o maior prazer em apoiá-la para concorrer a senadora, a deputada”. Ela disse: “Kátia, nunca mais”. Mas, quando apresentei o destaque para votar sobre os direitos políticos, não pensei em candidatura de Dilma. Só achei que era uma pena muito forte para a biografia dela. A preservação dos direitos políticos ameniza isso.

    Mas a senhora alegou questões práticas em seu discurso.
    Porque elas existem. Dilma vai fazer o que da vida? Onde ela vai trabalhar? Ela pensa em dar aula em faculdade, aqui, lá fora. Ela me disse: “Acho que vão me convidar”.

    Que conselhos a senhora gostaria que ela tivesse ouvido?
    O de se dedicar um pouco mais à política. Ela deveria ter dialogado mais. Às vezes, você tem de dizer “não”, mas, se você conversa mais, acaricia mais acaba compensando esse ”não’: Políticos são assim. Agora, é preciso lembrar que ela conviveu bem com o Congresso no primeiro mandato. Portanto, ela não deveria ser tão ruim assim. A grande diferença para o segundo mandato se chama Eduardo Cunha. Aí vão dizer: “É muito simples pôr toda a culpa nesse rapaz”. E eu direi: “Só quem convive com ele sabe do que ele é capaz’: Ele é hediondo. Hediondo.

    É de quem Dilma mais se ressente?
    A pessoa de quem ela mais se ressente é Michel. Ela me disse: “Kátia, eu confiei nesse moço, ele era o meu segundo! Eu o coloquei na coordenação política. Como ele pode dizer que era um vice ‘decorativo’? Mais que isso, só se eu desse o meu lugar para ele, que era o que ele queria e eu não estava entendendo”. No começo, ele estava mais contido. Eu mesma disse a ele: “Michel não mova um dedo para esse impeachment andar. Se tiver de acontecer, vai acontecer”. Ele se conteve até a apresentação do projeto Uma Ponte para o Futuro, do PMDB. Aquilo não foi um conjunto de orientações econômicas para ajudar o governo da Dilma, como disseram. Foi a senha para o impeachment. A partir dali, ele partiu para a conspiração.

    É isso que Dilma acha?
    Sim. O Michel foi a única pessoa de quem eu a ouvi fazer esse tipo de comentário.

    Mas ele não foi o único a trai-la.
    Mas foi quem mais a decepcionou.

    Em que momento a senhora viu Dilma mais abatida?
    No resultado da Câmara, quando terminou a sessão. Ela esperava ganhar lá. Todos nós esperávamos. O povo que votou contra ela estava na casa dela no dia anterior! Por aí dá para ver que impeachment é esse. Dá para ver a convicção de boa parte dos que votaram contra ela.

    A senhora foi ministra da Agricultura de Dilma. O que uma representante da direita aprendeu no governo de esquerda?
    Aprendi a ver as coisas de um ponto de vista menos limitado, porque política pública é para todos. A direita pensa que o povo só quer lhe tomar as terras. A esquerda pensa que os produtores só pensam em dinheiro. Ganhar dinheiro é importante, o direito de propriedade é importante. Mas existem outras bandeiras que precisam ser observadas. A questão ambiental, por exemplo. Alguém hoje tem coragem de negar isso? Isso é bandeira de esquerda por acaso?

    Não é?
    A disputa ideológica atrapalha muito. Enquanto a Marina Silva era ministra, o que aconteceu com a questão ambiental? Os produtores não aceitavam falar do assunto, porque achavam que era implicância dela. Ela transformou a questão em ódio para nós. Quando a lzabella Teixeira entrou, começamos a entender que do lado de lá também havia questões importantes a considerar. Acho que colaborei bastante para isso. Agora, há radicalismo dos dois lados. No setor agrário, o radicalismo é forte com relação ao direito de propriedade. Tanto que, quando um único cidadão disse no Palácio do Planalto que iria invadir terras e a Dilma o cumprimentou, para eles, os produtores rurais, foi como se ela tivesse dado o aval para a invasão. Foi a leitura que fizeram. Uma única frase e tudo o que Dilma fez para os produtores se esvaiu. E tentaram me transformar em “inimiga do setor”.

    A senhora já declarou que gostaria de ser presidente da República. A ideia continua no seu radar?
    Hoje o horizonte está tão difícil. É preciso esperar baixar a poeira, não dá para ser candidata de si mesmo. Dilma saiu da fase de alfabetização na política para o doutorado. Itamar estava lá quieto e o titular foi impichado. O outro era metalúrgico, sem estudo, pobre… Já disseram que presidência é destino. Eu adoraria participar de um debate nacional, independentemente de resultados.

    Como Lula, a senhora não nasceu rica.
    Eu era de classe média baixa. De comer arroz, feijão e tomate. Carne era pouca. Meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha 10 anos. Éramos três filhos, mais meu avô e minha avó. Minha mãe, sozinha e sem profissão, foi fazer vestibular. Fez curso de psicologia, fez cortina, fez roupa de criança. Uma guerreira, ela me inspira muito.

    A senhora tem um fraco por mulheres fortes, não?
    É verdade. Tenho uma identificação grande com a Dilma, inclusive na braveza. Nós somos bem parecidas, da mesma estirpe.

    A senhora foi considerada uma ministra da Agricultura competente. Diria que Dilma foi uma presidente competente?
    Em 2014 ela cometeu o erro de demorar a perceber que aquele modelo tinha vencido. Passou um pouco da hora. Aquele modelo de aquecer a economia via Estado não funcionava mais. e ela demorou um pouco para perceber.

    Ela acha isso?
    Acha, sim, senhora. Pode não dizer com todas as letras e da forma como as pessoas gostariam que ela dissesse, mas ela reconhece isso.

     

    Foto: Sergio Dutti / Veja

  • Senadora comenta julgamento da presidente Dilma Rousseff

    A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) reiterou a confiança em Dilma Rousseff e disse ser justa a manutenção dos direitos políticos da presidente, conforme deliberado pelo Senado Federal nesta quarta-feira (31).

    “Infelizmente hoje o Senado Federal decidiu tirar o mandato da presidente Dilma Rousseff. Apesar da injustiça que essa medida representa, tivemos uma vitória parcial: a manutenção dos seus direitos políticos. Peço a Deus que ilumine o caminho da presidente. Tenho muita gratidão por ela ter me dado o orgulho e a honra de ser a primeira ministra da Agricultura do Brasil. Desejo a Dilma muita luz, paz e um caminho de reconhecimento no futuro”.

    Assista ao vídeo:

    Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

  • Impeachment: “Dilma Rousseff é a presidente que mais fez pela agricultura”, diz Kátia Abreu

    Senadora foi a primeira a participar do interrogatório da presidente durante sessão no Senado

    A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) foi a primeira parlamentar a participar do interrogatório da presidente Dilma Rousseff, nesta segunda-feira (29), durante julgamento do processo de impeachment. Kátia Abreu defendeu o pagamento das subvenções ao Plano Safra, reiterou que não há “pedaladas” nas ações da presidente e destacou os avanços obtidos pelo setor agropecuário durante a gestão de Dilma.

    Kátia Abreu disse ter “orgulho” em ter sido a primeira mulher a chefiar o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e destacou que, com Dilma Rousseff, a pasta foi alçada ao primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios.

    “Sua sensibilidade com os problemas do setor e o seu compromisso com a solução de tudo o que tive a chance de lhe apresentar foram definitivos para que eu tivesse a certeza absoluta de que a senhora é a presidente que mais atenção deu ao agronegócio brasileiro, nas últimas três décadas. Uma atenção que se traduziu em ações. Não só em palavras, mas em resultados”, afirmou.

    A senadora apresentou números que mostram o amplo apoio da presidente ao setor. Os recursos destinados à agricultura durante os últimos cinco anos acumularam R$ 905 bilhões, sendo R$ 43 bilhões pagos em subvenções e R$ 15 bilhões em Agricultura de Baixo Carbono. O valor bruto da produção neste período somou R$ 3 trilhões.

    “E ainda não posso deixar de me lembrar do seu esforço e empenho pessoal em tirar os produtores rurais da criminalidade através da mudança do Código Florestal Brasileiro. Eu fui testemunha de que a senhora comandou pessoalmente uma luta que criminalizava, humilhava e denegria a imagem dos produtores rurais por mais de 15 anos”, ressaltou.

    Para Kátia Abreu, o impeachment é uma “conspiração que nasceu da vingança sórdida de Eduardo Cunha e ganhou forma na ganância sem limites de um pequeno grupo pelo poder”.

    “A história do Brasil vai contar aos brasileiros de hoje e do futuro o que nós estamos assistindo aqui. Em 24 anos, dois impeachments. Os americanos, em 180 anos, nunca aprovaram um”, concluiu.

    Veja a evolução do Plano Agrícola e Pecuário de 2011 a 2016:

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    Assista à participação da senadora durante interrogatório da presidente Dilma:

    Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

  • “Nem mesmo o TCU é unânime sobre pedaladas”, diz Kátia Abreu

    Tribunal de Contas têm pareceres divergentes sobre legalidade das operações

    A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) afirmou neste sábado (27), durante sessão de julgamento do processo de impeachment, que nem mesmo o Tribunal de Contas da União (TCU) é unânime sobre a legalidade das operações de crédito que são objeto da denúncia contra a presidente Dilma Rousseff, as chamadas “pedaladas”.

    Kátia Abreu lembrou que o procurador do Ministério Público junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira – responsável pelos estudos técnicos que embasam o processo de impeachment –, não levou em conta outro parecer do mesmo tribunal o qual diz que não pode ser considerado empréstimo o atraso no pagamento de subsídios do Plano Safra. Esse parecer divergente foi elaborado por auditores fiscais da Secretaria de Recursos do TCU (Serur).

    “Nem mesmo o TCU é unânime sobre as chamadas pedaladas. Há parecer divergente dizendo que não houve operação de crédito, não houve empréstimo. Se não houve operação de crédito, não houve crime. Esse é um dos pilares do processo de impeachment da Presidenta Dilma”, explicou a senadora durante oitiva do ex-ministro do Planejamento e da Fazenda, Nelson Barbosa.

    A senadora ainda lembrou que o auditor do TCU Antônio Carlos Costa D’Ávila Carvalho admitiu ter discutido com o procurador Júlio Marcelo a elaboração do parecer, o que fere a independência funcional.

    “O senhor D’Avila assumiu publicamente que ajudou a redigir a peça que ele mesmo analisou como técnico, o que contraria frontalmente o Código de Ética do TCU”, afirmou Kátia Abreu. “É o mesmo que eu fazer um projeto de lei, ser autora, e, ao mesmo tempo, relatar o meu próprio projeto de lei. É muito estranho”.

     

    Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

     

  • “Dilma está sendo penalizada por mudança da regra no meio do jogo”, diz Kátia Abreu

    Testemunha confirmou que a presidente não cometeu crime

    Durante depoimento de testemunhas do processo de impeachment nesta sexta-feira (26), a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) disse que a presidente Dilma Rousseff está sendo penalizada “por mudanças da regra no meio do jogo”. O entendimento é o mesmo do consultor jurídico Geraldo Prado, testemunha segundo a qual Dilma não cometeu crime ao editar decretos de abertura de crédito suplementar.

    A senadora argumentou que presidentes que antecederam Dilma Rousseff praticaram os mesmos atos dos quais a petista está sendo acusada porque não esses eram considerados irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A corte mudou seu entendimento somente no final do ano passado, quando interpretou que não se pode abrir crédito suplementar quando houver indicação de descumprimento da meta de superávit.

    “Uma mudança não pode dar ré, senão o passado fica inseguro. Então, eu compreendi, e tenho certeza que a população brasileira também, que a presidente Dilma está sendo penalizada por uma mudança de regra no meio do jogo”, afirmou a senadora durante depoimento de Geraldo Prado.

    A testemunha confirmou que outros presidentes praticaram os mesmos atos sem que fosse apontada qualquer irregularidade. “Existe todo um histórico de comportamentos absolutamente semelhantes que sempre foi avaliado como correto, como lícito, como permitido e essa mudança de entendimento não pode produzir efeitos para trás em hipótese alguma. Isso é uma regra de civilização, isso é inaceitável”, reiterou o economista.

    Assista à participação da senadora no depoimento de Geraldo Prado:

     

    Foto: Roque de Sá/Agência Senado

  • “Dilma está sendo penalizada por mudança da regra no meio do jogo”, diz Kátia Abreu

    Testemunha confirmou que a presidente não cometeu crime

    Durante depoimento de testemunhas do processo de impeachment nesta sexta-feira (26), a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) disse que a presidente Dilma Rousseff está sendo penalizada “por mudanças da regra no meio do jogo”. O entendimento é o mesmo do consultor jurídico Geraldo Prado, testemunha segundo a qual Dilma não cometeu crime ao editar decretos de abertura de crédito suplementar.

    A senadora argumentou que presidentes que antecederam Dilma Rousseff praticaram os mesmos atos dos quais a petista está sendo acusada porque não esses eram considerados irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A corte mudou seu entendimento somente no final do ano passado, quando interpretou que não se pode abrir crédito suplementar quando houver indicação de descumprimento da meta de superávit.

    “Uma mudança não pode dar ré, senão o passado fica inseguro. Então, eu compreendi, e tenho certeza que a população brasileira também, que a presidente Dilma está sendo penalizada por uma mudança de regra no meio do jogo”, afirmou a senadora durante depoimento de Geraldo Prado.

    A testemunha confirmou que outros presidentes praticaram os mesmos atos sem que fosse apontada qualquer irregularidade. “Existe todo um histórico de comportamentos absolutamente semelhantes que sempre foi avaliado como correto, como lícito, como permitido e essa mudança de entendimento não pode produzir efeitos para trás em hipótese alguma. Isso é uma regra de civilização, isso é inaceitável”, reiterou o economista.

    Assista à participação da senadora no julgamento:

     

    Foto: Roque de Sá/Agência Senado

  • Julgamento do Impeachment: senadora diz que não houve empréstimo no Plano Safra

    Kátia Abreu apresentou questão de ordem durante sessão desta quinta-feira

    O atraso no pagamento de subsídios do Plano Safra não configura operação de crédito. O argumento foi apresentado nesta quinta-feira (25) pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) durante julgamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

    “Reitero, obstinadamente, que não houve empréstimos no caso do Plano Safra. Houve um volume maior, porque, na verdade, a Presidente da República fez um bem aos produtores rurais. Ela aumentou enormemente o subsídio para os agricultores pequenos, médios e grandes”, afirmou Kátia Abreu durante sessão do Senado. “Nós aumentamos o volume pago porque a agricultura brasileira precisava desses aumentos de subvenção”, completou.

    A senadora lembrou que o Ministério Público Federal concluiu, no mês passado, que os atrasos da União no repasse de verbas aos bancos não configuram crime.

    “Obstinadamente, reiterarei essa palavra quantas vezes necessário for, quantas vezes o regimento me permitir: não há que se falar em operação de crédito, já que o Tesouro deve aos bancos a diferença da taxa, e não ao mutuário”, explicou.

    Diante da reclamação da acusação de que os parlamentares contra o impeachment estavam “procrastinando” a sessão, Kátia Abreu afirmou que, na verdade, trata-se de “obstinação”.

    “É um direito que todos nós temos quando acreditamos em alguma coisa, quando acreditamos numa tese. Quero lembrar a todos que nós temos julgamentos em vários lugares do país e do mundo que podem durar até quatro dias, tudo obedecendo rigorosamente ao Regimento Interno”.

    Assista à fala da senadora durante o julgamento:

     

    Foto: Jefferson Judy/Agência Senado

  • Artigo: Grande jogo de interesses pequenos

    Leia artigo da senadora Kátia Abreu publicado na editoria Tendências e Debates, da Folha de S. Paulo, em 20 de agosto:

    “Senado deve aprovar impeachment de Dilma Rousseff? NÃO

    Grande jogo de interesses pequenos

    A esta altura, depois de toda a apuração e de longas discussões, não se pode aceitar que Dilma Rousseff tenha cometido crime de responsabilidade e, portanto, que o processo de impeachment deva resultar no seu afastamento. A história é outra.

    Quem se dedicar a analisar os indicadores econômicos dos últimos anos vai perceber que vivemos uma redução da atividade econômica, em muito influenciada por fatores externos. Queda dos preços das commodities, mudança da política monetária dos Estados Unidos e desaceleração da economia chinesa estão entre os principais.

    Diante desse cenário adverso, buscando minimizar seus impactos para a população, o governo lançou mão de medidas de estímulo. Esse movimento teve sucesso e preservou avanços sociais.

    Passado o momento mais agudo da crise, tornou-se necessário por em prática outro rol de medidas, mais estruturantes, para garantir maior solidez fiscal.

    No final de 2015, o governo enviou à Câmara dos Deputados medidas legislativas necessárias à recuperação da saúde fiscal do país. Enfrentou enorme resistência. Além de impedir a votação de projetos fundamentais, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, utilizou as tais pautas-bombas como elemento de terrorismo político para desestabilizar o governo.

    Estava desenhado o cenário ideal para a proposta de impeachment. O discurso de que houve crime de responsabilidade em atos de gestão foi o disfarce encontrado para uma articulação política da pior espécie, que se aproveitou da queda de popularidade da presidente para tentar derrubá-la. Um grande jogo de interesses pequenos.

    Essa manobra foi desmascarada quando, um a um, os falsos argumentos dos defensores do afastamento foram sendo destruídos. Em 27 de junho, a perícia elaborada por técnicos do Senado não identificou ação da presidente na decisão de atrasar os pagamentos a bancos públicos de subsídios do Plano Safra. Ou seja, não houve pedalada.

    Menos de um mês depois, o Ministério Público Federal em Brasília pediu à Justiça Federal o arquivamento da investigação aberta para apurar se houve crime de responsabilidade em operações financeiras do governo. O procurador Ivan Cláudio Marx concluiu que não houve operação de crédito sem autorização legislativa. Mais uma vez: não houve pedalada.

    Restou aos arquitetos do afastamento a via da política. Todo impeachment é um ato político que não pode prescindir de uma causa jurídica. Estivéssemos nós em um regime parlamentarista, bastaria um voto de desconfiança. Não é nosso caso, entretanto.

    Não podemos ser ingênuos. Não havendo provas do crime do qual acusam a presidente, ela não pode ser afastada de um cargo no qual foi posta pela maioria dos brasileiros. A política não deve servir a isso.

    Não podemos também, sob hipótese alguma, ceder ao bordão fácil de que a presidente foi leniente com a corrupção. A Operação Lava Jato teve início em 2014 -no governo Dilma, portanto- e, quanto mais se aprofunda no submundo da política brasileira, mais fica claro que a corrupção não tem horizonte temporal definido nem se cinge a um determinado partido. Infelizmente.

    O Senado Federal tem agora a missão de se manifestar sobre o afastamento definitivo da presidente. Espero que meus colegas avaliem com muito cuidado o precedente que estarão abrindo se permitirem que isso aconteça.

    Nelson Rodrigues disse que, muitas vezes, é a falta de caráter que decide uma partida, que não se fazem literatura, política e futebol com bons sentimentos. Quero, ao fim desse processo, e no que tange à política, ter razões para discordar dele.

    KÁTIA ABREU, 54, agropecuarista, é senadora (PMDB/TO) e presidente licenciada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foi ministra da Agricultura (governo Dilma)”

    Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

  • “Estamos vivendo uma farsa”, diz Kátia Abreu sobre processo de impeachment

    Senadora criticou políticos que faziam parte do governo e hoje apoiam o impedimento

    A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) afirmou à Comissão Especial do Impeachment do Senado nesta terça-feira (5) que o processo de impedimento de Dilma Rousseff é uma “farsa” e “inadmissível”. A parlamentar reafirmou sua confiança na honestidade da presidente.

    “Estamos vivendo aqui uma farsa, o inadmissível. E não vejo ninguém dizer da corrupção que está eivada no governo da Dilma. Foi ela sozinha ou foram todos os partidos, que mamaram, sugaram esse governo, durante cinco anos e, agora, estão do outro lado da mesa pedindo o impeachment da própria?”, indagou a senadora.

    Kátia Abreu, que foi ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de janeiro de 2015 a maio de 2016, criticou os políticos que faziam parte do governo Dilma e agora apoiam o impeachment.

    “Não defendo partidos. Não tenho mais paixão por esta política. Defendo Dilma porque acredito na sua honestidade. Cometeu erros como todos. Esses partidos que ocuparam os ministérios tanto tempo não viram antes nada de errado? Engraçado não é?”.

    A parlamentar se dirigiu ao povo brasileiro para afirmar que Dilma Rousseff “não é corrupta”.

    “Se nós fôssemos agora colocar nessa mesa, neste auditório, todos que estão sendo investigados pela lambança de todos os partidos, mas todo mundo aqui, caladinho, escondendo debaixo do tapete a corrupção e as acusações que estão dentro dos seus próprios partidos, daqueles que comiam, almoçavam e jantavam no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada. Isso é uma hipocrisia! Isso é um cinismo, com o qual eu não vou compartilhar!”, concluiu.

    A senadora também defendeu Dilma Rousseff da acusação de “fraude” e negou que a presidente tenha “destruído” a economia do país.

    Assista ao pronunciamento de Kátia Abreu na Comissão de Impeachment:

    Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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