• Artigo: À mesa, com ou sem Trump

    Leia a íntegra do artigo da senadora Kátia Abreu publicado na Folha de S. Paulo de 13 de março

    “Profundas mudanças na ordem internacional estão em curso, e a ascensão de Donald Trump nos Estados Unidos, antes de ser causa, é consequência dessas transformações.

    Entre os americanos, muitos estão insatisfeitos com o modelo de economia globalizada, no qual empresas decidem onde querem produzir. É por isso que várias das promessas do novo presidente vêm sendo diligentemente cumpridas. No entanto, o que soa catastrófico para alguns pode ser, para outros, uma imperdível oportunidade.

    Exemplo disso é a saída dos EUA da Parceria Transpacífico (TPP). Sem participar do bloco, o Brasil estava na iminência de perder espaço em mercados importantes. Com os EUA fora, temos possibilidade de incrementar nossas exportações para os países do pacífico e de negociar acordos comerciais com economias como Japão e Coreia do Sul.

    É necessário, contudo, que os exportadores brasileiros estejam preparados para voltar à mesa e ocupar o espaço aberto a produtos nos quais somos competitivos, como os agropecuários.

    Não podemos achar que “ganhamos tempo” com esse abalo da TPP. Precisamos agir com rapidez, porque logo os EUA passarão a negociar acordos bilaterais com países asiáticos, em substituição ao bloco.

    O movimento das placas tectônicas do comércio mundial provocado pela era Trump já afeta também a relação bilateral com o México e a China. Importantes parceiros dos EUA e também do Brasil, esses dois países terão de buscar alternativas para preencher a lacuna a ser aberta nas suas operações de comércio e investimentos, caso as promessas do atual líder norte-americano continuem sendo levadas a efeito.

    Mais uma vez, nosso país precisará estar pronto para aproveitar as oportunidades que surgirão à frente. Como? Vivemos tempos em que a informação é um dos bens mais preciosos para operações comerciais exitosas. Não dá mais para seguirmos apenas reagindo aos mercados, simplesmente vendendo para aqueles que nos procuram.

    A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), por exemplo, não pode continuar fazendo serviço braçal em pleno século 21; tem que pensar estrategicamente pelo agronegócio.

    Em 2015, durante minha gestão como ministra da Agricultura, dei início ao desenvolvimento de um sistema de inteligência econômica e comercial para o agronegócio.

    Ao conhecer o Departamento de Agricultura dos EUA, que conta com mais de 800 economistas PhDs dedicados exclusivamente a análises de tendências de mercado para os produtos agrícolas, percebi que o Brasil tinha capacidade e necessidade de estruturar algo semelhante.

    Os quadros técnicos do Ministério da Agricultura -incluindo as adidâncias agrícolas no exterior e as instituições vinculadas, como Conab, Embrapa e Inmet- contam com especialistas do mais alto nível que podem se dedicar ao trabalho de inteligência estratégica. Temos de usar de maneira mais eficaz as informações disponíveis.

    O peso das exportações do agronegócio brasileiro não pode ser negligenciado neste momento em que a economia busca se recuperar. Com Trump ou sem Trump, o trabalho de inteligência estratégica não deixará de ser prioridade para os EUA. Por lá, a pasta da agricultura tem o segundo maior orçamento do governo, perdendo somente para o setor de defesa e segurança.

    Está claro que os EUA irão rever todos os seus acordos comerciais para beneficiar os norte-americanos -aliás, foi exatamente isso o que disse o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, em recente entrevista. Eles têm dados e informações para negociar. E o Brasil, com o que se sentará à mesa?

    KÁTIA ABREU, agropecuarista, é senadora (PMDB – TO). Foi ministra da Agricultura (governo Dilma Rousseff)”

  • Kátia Abreu questiona presidente do BC sobre altas taxas de juros do cartão de crédito

    Senadora participou de audiência pública com Ilan Goldfajn na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE)

    A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) questionou nesta quarta-feira (4) o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, sobre as altas taxas de juros dos cartões de crédito, atualmente o maior fator de endividamento das famílias. Ela ainda cobrou redução da taxa básica de juros pelo BC a fim de garantir a competitividade externa da agropecuária e da indústria brasileiras.

    Kátia Abreu destacou que 58% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O cartão de crédito é o maior vilão e representa 76% dessas dívidas, seguido pelo carnê (14,8%) e pelo financiamento de carro (10,9%).

    “Se pudéssemos resolver essa taxa de juros do cartão de crédito, que é abusiva, melhoraríamos muito a questão do endividamento das famílias”, afirmou a senadora, que também questionou a diferença das taxas do cheque especial entre os bancos, que variam de 294% a 448%.

    “É uma diferença de 53% a taxa de um banco para outro só no cheque especial. Então, que mágica é essa? Nós estamos pagando pela incompetência de um banco ou outro? Aí alguém pode dizer: mas você tem a liberdade de abrir a conta onde quiser. Nem sempre. O cliente quer ter a sua agência bancária próximo de onde mora ou da sua empresa. Às vezes, até a própria empresa adota uma agência bancária e ele fica sem opção de escolha”, argumentou Kátia Abreu.

    Em resposta, Goldfajn afirmou que a questão das taxas dos cartões de crédito “está na agenda do BC” e destacou que a instituição visa transparência, portabilidade do crédito e educação financeira da sociedade.

    Exportações
    A senadora ainda chamou atenção para a taxa básica de juros (Selic), cuja definição é de responsabilidade do Banco Central. Para a parlamentar, a queda do Credit Swap Default (CDS) do Brasil aponta para a possibilidade de corte da Selic. Kátia Abreu destacou ainda que o recuo do Dólar frente ao Real prejudica as exportações do agronegócio e da indústria.

    “Uma das maneiras que vários países usaram no mundo todo para sair da crise foi justamente pela via das exportações. Agora, com o dólar nesse nível, é praticamente impossível”, disse Kátia Abreu. “Esse dólar baixo vai trazer consequências gravíssimas nas exportações do brasil, na geração possível de emprego e nas nossas reservas, no superávit no final do ano. É preciso tomar providências”.

    Assista à participação da senadora durante audiência da CAE:

    Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

  • Artigo: Crédito turbinado

    O jornal Folha de S. Paulo publicou nesta terça-feira (20) artigo assinado pela senadora Kátia Abreu que trata das novas fontes de financiamento do setor agrícola. Leia a íntegra abaixo:

    “Crédito Turbinado

    Kátia Abreu

    Ainda que o atual cenário político brasileiro não seja animador, os produtores rurais receberam neste mês a boa notícia de que estão disponíveis novas fontes de financiamento da produção. Entrou em vigor a lei nº 13.331/16, que moderniza a norma dos títulos do agronegócio e insere quatro dispositivos inéditos capazes de turbinar o crédito no campo.

    A nova lei, apresentada em forma de medida provisória quando estávamos à frente do Ministério da Agricultura, atende à demanda crescente do setor agropecuário por crédito. Entre os novos dispositivos, destaco a permissão para que os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) sejam indexados a moedas estrangeiras.

    Nos diversos países em que estive, vi que é enorme o interesse de investidores estrangeiros em financiar nosso agronegócio. Não para menos: é o único setor do país que une expansão de produção, ganhos de produtividade e crescente inserção internacional.

    Com as modificações na Lei dos Títulos do Agronegócio, os investidores internacionais agora fornecerão crédito sem correr riscos cambiais. Isso é bom para eles e é bom para a nossa agropecuária, já integrada aos mercados globais e, por isso, protegida de flutuações no câmbio. É um ganha-ganha.

    Conforme a nova legislação, os bancos cooperativos poderão, finalmente, aumentar seu apoio ao setor emitindo Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Essas instituições são grandes financiadoras dos agricultores: captam recursos e repassam às suas cooperativas singulares, as quais financiam cooperativas de produção e produtores.

    Para ter uma ideia, na safra 2015/16 foram emprestados, via LCAs, por todos os bancos, cerca de R$ 13,5 bilhões (8,2% do total de empréstimos do Sistema Nacional de Crédito Rural), comprovando a importância dessas letras como fonte de captação de crédito.

    O CDCA, títulos emitidos por cooperativas de produção e empresas do ramo com o objetivo de financiar o produtor, terá duas novas modalidades.

    A primeira permite que investidores não residentes no Brasil emitam esses certificados indexados a moedas estrangeiras. A segunda define quais títulos adquiridos por instituições financeiras serão considerados créditos rurais. Isso dará aos bancos comerciais autonomia para lançar outros títulos de crédito, tais como LCAs, lastreados em CDCAs. Hoje há cerca de R$ 1,5 bilhão captado dessa maneira.

    O CRA recebeu autorização semelhante, o que libera sua emissão indexada a moedas estrangeiras. Trata-se de título mais flexível, pois qualquer empresa que atue no agronegócio pode lançar mão dele, ao passo que o CDCA é direcionado a cooperativas e empresas de comercialização ou processamento.

    Por essa razão, o CRA ganhou mais amplitude e se transformou no maior instrumento de captação de recursos via mercado de capitais. Atualmente há cerca de R$ 12 bilhões registrados nesses certificados.

    O Ministério da Agricultura teve papel central no trabalho técnico e na articulação política dessa grande conquista. Colhemos à época as demandas do setor produtivo por diversificação de fontes de financiamento, elaboramos as minutas com o Banco Central e o Ministério da Fazenda, negociamos com a Frente Parlamentar da Agricultura e enviamos a medida provisória ao Congresso Nacional, que a promulgou sem alterações.

    Esperamos que a emissão de CDCAs e CRAs cresça exponencialmente diante dessas novas medidas.

    KÁTIA ABREU, 54, agropecuarista, é senadora (PMDB/TO) e presidente licenciada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foi ministra da Agricultura (governo Dilma)”

    Foto: Reprodução

  • Entra em vigor proposta de Kátia Abreu que aumenta oferta de crédito para a agricultura

    Mecanismo foi estudado durante gestão da senadora à frente do Ministério da Agricultura

    Entrou em vigor nesta sexta-feira (2) a Lei 13.331/2016, que permite a emissão de Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com correção pela variação cambial de outras moedas. A proposta, apresentada pela senadora quando estava à frente do Ministério da Agricultura, foi aprovada pelo Congresso Nacional sem alterações.

    A lei, que tem origem na Medida Provisória 725/2016, possibilita novas formas de financiamento da produção agropecuária. Foi uma das últimas medidas editada pela presidente Dilma Rousseff e atende à demanda crescente do setor por crédito.

    A partir de agora, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio, que sempre existiram, poderão ser lastreados em dólar. Com isso, as agroindústrias exportadoras do país vão poder tomar financiamento internacional com juros mais baixos. Na prática, o produtor ganha liberdade e mais opções de crédito, uma vez que agora poderá emitir suas letras de crédito diretamente na cooperativa. Além disso, abre possibilidade para investidores estrangeiros financiarem a agropecuária brasileira.

    “É uma condição de financiamento muito moderna e é a primeira vez que o Brasil permite esse lastreamento em dólar. Estimamos entrada de US$ 30 bilhões em financiamento para o agronegócio no país. É um marco importantíssimo em termos de diversificação de fonte de financiamento para o nosso setor”, explicou a senadora.

    O texto enviado pela presidente Dilma Rousseff – negociado à época pelos então ministros Kátia Abreu e Nelson Barbosa (Fazenda) – foi aprovado na íntegra pelos deputados e senadores. “O montante atual de crédito disponibilizado atende a cerca de apenas 30% da necessidade, o que tem obrigado os produtores a buscarem mecanismos alternativos de financiamento. Essa medida é motivo de comemoração para o setor”, completou a senadora.

    Kátia Abreu comemorou a aprovação da medida durante sessão do Senado no último dia 31. Assista:

    Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

  • Câmara aprova proposta de Kátia Abreu para emissão de letras de crédito em moeda estrangeira

    Medida representa novas formas de financiamento do setor agropecuário

    O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (29), sem alterações, uma proposta apresentada pela senadora Kátia Abreu que possibilita novas formas de financiamento da produção agropecuária. A Medida Provisória 725/2016, editada quando a parlamentar estava à frente do Ministério da Agricultura, autoriza cooperativas de crédito a emitir Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) indexados em moeda estrangeira, possibilitando participação de investidores externos no financiamento do setor.

    O texto enviado pela presidente Dilma Rousseff – negociado à época pelos então ministros Kátia Abreu e Nelson Barbosa (Fazenda) – foi aprovado na íntegra pelos deputados e seguirá agora para análise do Senado. A proposta permite a emissão de Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) indexados em moeda estrangeira, desde que integralmente lastreados em recebíveis na mesma moeda.

    Na prática, o produtor ganha liberdade e mais opções de financiamento, uma vez que agora poderá emitir suas letras de crédito diretamente na cooperativa. Além disso, abre possibilidade para investidores estrangeiros financiarem a agropecuária brasileira.

    “Esse mecanismo foi estudado enquanto estávamos no Ministério da Agricultura em atendimento à crescente demanda por novas fontes de financiamento”, destacou a senadora. “O montante atual de crédito disponibilizado atende a cerca de apenas 30% da necessidade, o que tem obrigado os produtores a buscarem mecanismos alternativos de financiamento. Essa medida é motivo de comemoração para o setor”, completou.

     

    Foto: Mapa

  • Temer adota medidas de desburocratização do Mapa propostas por Kátia Abreu

    Decreto do governo interino contempla ações apresentadas pela senadora em maio

    O presidente em exercício Michel Temer assinou decreto que prevê medidas de desburocratização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento propostas pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) quando estava à frente da pasta.

    O Decreto 8.840/2016, publicado nesta quarta-feira (26) no Diário Oficial da União, traz medidas que já haviam sido enviadas por Kátia Abreu à Casa Civil em maio deste ano, antes de deixar o comando do ministério. O governo interino afirmou que o texto, batizado de Agro+, traz inovações para modernizar e desburocratizar o setor. Grande parte das ações já havia sido elaborada durante a gestão da senadora, discutida com entidades e negociada com a Casa Civil.

    “Desde o primeiro dia da minha gestão, levantei a bandeira da modernização e da desburocratização dos procedimentos do Mapa. Fico feliz que o trabalho realizado com tanto afinco durante nossa passagem pelo ministério tenha sido aproveitado”, comentou Kátia Abreu.

    Entre as medidas propostas por Kátia Abreu e acatadas por Temer está a que confere maior agilidade no registro de produtos de uso veterinário. O prazo foi reduzido de 180 a 120 dias para 45 dias e, na falta de manifestação do Mapa, será emitida uma licença provisória válida por um ano. A redação do Artigo 28, que trata do assunto, é idêntica à sugerida pela equipe da senadora à época.

    Também são idênticos os artigos 33, 38 e 66. O primeiro dispensa autorização prévia do Mapa para fabricação de produtos experimentais, bastando ao fabricante fazer a comunicação. O segundo facilita o registro de medicamentos genéricos veterinários e o terceiro revoga a restrição que impedia fabricantes não registrados no Mapa de adquirir insumos de produtos veterinários.

    Foto: Mapa

  • Senadora lamenta vetos à MP da renegociação de dívidas agrícolas da Sudene

    A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) lamentou os vetos parciais do presidente interino Michel Temer à Medida Provisória 707/2015, que trata da renegociação das dívidas de produtores rurais na área da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). A parlamentar chamou a atenção para a dificuldade enfrentada sobretudo pelos pequenos produtores atingidos pela forte estiagem na região.

    “Quero lamentar que, depois de uma ampla e grande negociação a respeito das dívidas do Nordeste, foram vetados itens da maior importância. Não é apenas um grupo de produtores do Nordeste chorando a prorrogação de dívidas, querendo empurrar com a barriga as suas dívidas. Ao contrário, são cinco anos de seca brava, de seca total. Então, é a total incapacidade de pagamento”, afirmou Kátia Abreu nesta quarta-feira (15), durante sessão plenária do Senado.

    Apesar de a matéria ter sido resultado de ampla negociação entre Congresso Nacional e Executivo, Michel Temer vetou os artigos que abatiam parte das dívidas referentes ao crédito rural e estabeleciam a remissão integral da dívida.

    Segundo a senadora, os vetos colocarão na inadimplência milhares de pequenos agricultores, visto que cerca de 80% dos agricultores familiares que aderiram ao programa de crédito agrícola tiveram perdas comprovadas superiores a 50% da produção com a seca de 2014 e 2015, a pior dos últimos 50 anos.

    “Não se trata de um mau negócio realizado pelo produtor. A chuva não veio. Isso não depende da sua vontade própria. Ele fez o que tinha que ser feito, mas, infelizmente, não tem o comando sobre a natureza. Isso vai dar problema para o Nordeste mais uma vez, além dos grandes problemas que já tem com a seca. Não foi cumprido um grande acordo feito, debatido amplamente por todos os Ministérios afins”, lamentou a senadora.

    Kátia Abreu falou sobre os vetos durante votação da MP 715/2016, que destina R$ 316,2 milhões para o pagamento de parcelas do Benefício Garantia-Safra. O recurso é destinado a 440 mil famílias de agricultores familiares Sudene atingidos pela seca no período 2014/2015. A matéria foi aprovada pelo Senado e agora segue para promulgação.

    Assista ao discurso da senadora:

  • Kátia Abreu destaca avanços da agropecuária e apresenta balanço de sua gestão

    Capa revista Agropecuária BrasileiraA senadora Kátia Abreu apresenta a publicação “Agropecuária Brasileira: avanços e conquistas – Janeiro 2015/Maio 2016”, que traz o balanço de sua gestão à frente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – cargo que deixou no último dia 12.

    “Na gestão do Ministério, o nosso ponto principal foi modernizar e aproximar a atividade pública da empresa privada no que diz respeito à eficiência. Redução de custos, transparência, eficiência no monitoramento dos resultados dos nossos projetos e dos gastos do dinheiro público”, afirmou a senadora.

    Veja a íntegra da publicação: Agropecuária Brasileira – Avanços e Conquistas Janeiro 2015 a Maio 2016

     

     

  • Ações no MAPA 2015: Agronegócio mais fortalecido

    Os últimos meses aqui no Ministério da Agricultura foram de um trabalho intenso, mas com o fim do ano chegando, acredito que posso dizer que o saldo está sendo positivo, especialmente no mês de novembro. Foram várias reuniões, encontros, viagens e conversas com o objetivo de melhorar o cenário da agropecuária brasileira e alavancar a colaboração que este setor pode oferecer ao Brasil. Vencemos barreiras, abrimos mercados e recuperamos relações comerciais que estiveram interrompidas por muitos anos.

    Dois projetos, especialmente, me são muito queridos e demonstram o compromisso de toda a equipe em cumprir nossos objetivos. O primeiro é resultado de uma parceria entre o MAPA e o Ministério do Planejamento, que tem o objetivo de modernizar a gestão do poder público brasileiro. Já falei diversas vezes que a burocracia tem sua função, mas não pode ser utilizada como desculpa para a morosidade nos processos administrativos e a adesão do MAPA no Processo Eletrônico Nacional é um marco do qual me orgulho.

    O Sistema Eletrônico de Informações – SEI, é uma iniciativa que está sendo implementada em 57 órgãos e no MPOG já diminuiu em 46%, aproximadamente R$ 2,2 milhões, os custos administrativos, além de reduzir de 77 para 31 dias a tramitação de processos. Aqui no MAPA a parceria já economizou R$ 6 milhões apenas na fase de desenvolvimento e instalação, por não ser necessária a contratação de empresa prestadora destes serviços.

    O desenvolvimento do Matopiba é outro projeto que me é muito caro, por ter enorme potencial de revolução social no Tocantins, estado que ofereceu tantas oportunidades na minha vida profissional e que permitiu que eu pudesse criar minha família com tranquilidade. A região do Matopiba tem mais de 200 mil famílias de agricultores em situação de extrema pobreza, mesmo com muita terra para plantar. Com a colaboração da Universidade Federal do Tocantins – UFT, a iniciativa privada e o governo federal – representado pelo MAPA, acredito que podemos transformar positivamente a região, fortalecendo a pesca e as comunidades tradicionais que ali vivem. Uma das premissas de qualquer projeto que envolva o Matopiba é que as pessoas que são da região tenham condições de melhorar de vida e poder articular para que isso aconteça é uma das razões pelas quais decidi seguir uma carreira pública, anos atrás.

    Já na esfera econômica, é inegável que novembro foi um mês profícuo para o agronegócio. Os acordos comerciais celebrados com mercados internacionais trazem o reforço que o atual momento econômico precisa. China, Índia, Arábia Saudita Estados Unidos e México são apenas alguns países que possuem alimento brasileiro nas prateleiras de seus supermercados e nas bancas das feiras. Além de commodities, estamos negociando exportação de produtos processados, o que pode aumentar o valor recebido pelo agricultor brasileiro.

    A caminhada é árdua e nem sempre tranquila, mas com o esforço de todos nós, continuamos andando para a frente. A minha confiança em apresentar a agropecuária brasileira vem do suporte de todos vocês, que fazem o melhor e me dão o apoio necessário para, com confiança, seguir em busca de melhores oportunidades para todos os brasileiros. Vamos em frente.

  • Uma viagem inevitável

    O agronegócio brasileiro tem trajetória brilhante, mas para manter esse padrão não podemos ficar alheios a acordos internacionais.

    A economia e o comércio mundiais passam por ampla transformação. A globalização dos mercados e a interconexão das cadeias produtivas são os pilares desse processo –ao que o Brasil não está alheio, mas ainda está aquém de seu potencial de participação.

    Nossa formação, que poderíamos chamar de cultura do subdesenvolvimento, legou ao país uma atitude defensiva em relação aos países desenvolvidos, má herança de que nos empenhamos em nos desfazer.

    É inegável que ao longo de quase todo o século 20 crescemos muito, mesmo sem o apoio do comércio externo, pois o interno bastava. Desde então, o Brasil e o mundo mudaram radicalmente, sobretudo nos últimos 30 anos.

    Na conjuntura econômica que atravessamos, a tendência natural é nos assustar com uma longa lista de problemas que reclamam solução urgente. Mas a experiência e a sabedoria nos ensinam que querer enfrentar todos os problemas de uma só vez resulta em não resolver nenhum deles. A saída é fazer escolhas –e mudar nosso setor externo é certamente uma delas.

    Os mais realistas nos ensinam que tanto o gasto público como o consumo das famílias estão esgotados como fonte de crescimento econômico. Para crescer dependeremos do investimento privado e das exportações. Em nosso tempo, nenhum país conseguiu chegar a níveis altos de renda por habitante sem integrar-se ao comércio internacional de bens e serviços.

    O Brasil está longe de esgotar seu potencial nesse setor. Temos o sétimo PIB do mundo, mas, em valor de exportações, somos o 25º. Quanto às importações, nosso coeficiente em relação ao PIB é de 13,5%. Para mudar essa realidade, será preciso rever conceitos.

    O comércio internacional nunca foi território de amenidades. Todos os países aspiram a uma posição forte e dominante. Ultimamente, porém, está se formando uma consciência de que os conflitos devem ceder lugar a parcerias.

    Elas se apresentam como Acordos Preferenciais de Comércio, arranjos regionais destinados a facilitar e incrementar o intercâmbio sob a forma tradicional de redução de barreiras tarifárias e não tarifárias e por meio de um esforço de harmonização de normas e regulamentações para aprimorar o fluxo de bens, serviços e investimentos.

    Quase todas as economias estão vivendo em regime de baixo crescimento interno, por isso o apelo à demanda externa e às exportações.

    Essas parcerias até há pouco pareciam mero discurso político, mas o que estamos vendo é seu rápido progresso, vencendo obstáculos que pareciam insuperáveis. Nesse quadro, o Brasil já constatou que precisa reciclar-se.

    Em estudo recente, produzido pela Fundação Getúlio Vargas, constatou-se que a adesão do Brasil a esses acordos pode resultar em aumentos expressivos de nossas exportações: de 20% para a União Europeia, de 10% para os Estados Unidos e de 12% para a China.

    O agronegócio brasileiro tem trajetória brilhante, garantindo há décadas o superavit da balança de pagamentos e nossas reservas cambiais. Mas para que esse padrão não se comprometa, não podemos ficar – e não estamos – alheios a acordos como os que se articulam no Pacífico e no Atlântico.

    Por outro lado, é preciso que a indústria se integre às cadeias globais de suprimento, que são a forma contemporânea de funcionamento desse setor em âmbito global. Ela terá meios que facilitarão esse processo, pois grande parte é formada de multinacionais que têm capital e estrutura para a competição global.

    Ainda de feitio autenticamente doméstico, a indústria brasileira vai aumentar sua competitividade se tiver acesso a bens de capital e insumos importados de qualidade e baixo preço. Aumentar a produtividade no setor industrial e no de serviços é essencial –e a abertura para o exterior é o melhor caminho.

    O Brasil, em suma – e aí não apenas o governo, mas o setor produtivo e a sociedade –, começa a tomar consciência de seus interesses estratégicos, sem se iludir por interesses de curto prazo. Isso não exclui nossos parceiros do sul, mas abre preciosa oportunidade para que embarquem conosco nessa viagem, que não há como ser evitada.

    Artigo publicado na Folha de S. Paulo – Tendências e Debates – em  02 de setembro de 2015.

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