Em Boston, Kátia defende a agropecuária brasileira durante palestra para alunos de Harvard

Parlamentar falou sobre principais desafios para aumentar a produção em 40% até 2050, conforme meta estipulada pela FAO

Em Boston, Kátia defende a agropecuária brasileira durante palestra para alunos de Harvard
AGRONEGÓCIO 0 Comentário(s) 05/04/2019
A senadora Kátia Abreu (PDT-TO) defendeu, nesta sexta-feira (05), em Boston, a importância da agropecuária brasileira, fundamental para a produção de alimento para o mundo. Kátia falou sobre os desafios que o Brasil terá para cumprir a meta estipulada pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) de aumentar em até 40% a produção até o 2050. A parlamentar participa do Brazil Conference 2019, promovido pelas universidades de Harvard e MIT. Amanhã, Kátia debaterá novamente. Desta vez dividirá o palco com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, para falar sobre o papel da Suprema Corte. 
Diferente dos anos 70, quando o Brasil figurava entre os grandes importadores de alimentos, hoje o país venceu as barreiras da produção, conseguindo além de alimentar o mercado interno abastecer também mercado externo. Kátia lembrou que essa mudança de cenário não impactou apenas a agropecuária, mas sim toda a economia. Tecnologia e inovação, na avaliação da senadora, foram fundamentais para essa mudança de patamar. 
“Na década de 70 nós exportávamos café e açúcar e éramos grandes importadores de comida cara. Os brasileiros gastavam quase 50% da sua renda para comprar comida. Hoje gastamos de 18 a 23%. A agropecuária aliada a tecnologia ajudou a economia como um todo porque sobrou dinheiro. Atualmente o setor representa 21% do PIB nacional, 37% do emprego e entre 42 e 45% das exportações”, defendeu. 
Com o crescimento populacional previsto para as próximas décadas o Brasil tem uma grande chance de aumentar ainda mais seu protagonismo como produtor de alimento de forma sustentável. A parlamentar usou o exemplo do Tocantins, estado com menor taxa de desmatamento, para mostrar que há como crescer apenas com o uso de tecnologia e com a transferência de atividade de produção. Katia lembrou também a grande produtividade do Matopiba, com 70 milhões de hectares e uma produção que vem aumentando, chegando até a três vezes mais que o resto do país. 
Ex-ministra da Agricultura, Kátia falou para os estudantes de Harvard e do MIT da necessidade de investimento em tecnologia e, principalmente, de financiamentos para que os produtores possam ter acesso à inovação. 
“O Brasil é muito grande. Dos 5,2 milhões de produtores apenas 20% têm acesso à tecnologia. Desse total, 86% são pequenos produtores. A tecnologia e a conectividade formam hoje o quarto pilar da agricultura, mas não podem ficar apenas no power point. Tem que ter financiamento”, destacou. 
Questionada sobre qual impacto teria para o agro a aproximação entre Brasil e Israel, Kátia lembrou que esteve duas vezes no país do Oriente Médio que é destaque em irrigação e na energia fotovoltaica. Para a parlamentar, Israel tem bons exemplos que podem ser copiados no Brasil, entretanto, as negociações precisam de cautela para não causar atritos com outros países que são parceiros estratégicos para o Brasil.
Além de Kátia, participaram do painel “Agronegócio e explosão populacional” Denise Amador, representando a ONG Mutirão Agroflorestal e Paul Fribourg, representando a Continental Grain Co. O painel foi mediado por Mariana Vasconcelos, da Agrosmart.

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