• ead Senar – Uma conquista do produtor rural

    A educação pode mudar a existência de uma pessoa. O estudo é essencial para avançar na vida, não apenas na profissão, mas enquanto pessoa. Assimilar experiências expande os horizontes e permite que se possa enxergar o mundo sob uma ótica totalmente nova: a de séculos de conhecimentos acumulados pela humanidade. A criação do SENAR foi uma vitória da agricultura, que reuniu no mesmo objetivo o governo, a iniciativa privada e os trabalhadores rurais, com igual poder de decisão sobre os rumos da formação profissional rural, sob a ótica das necessidades do mercado.

    Os tempos mudaram, mais uma vez, os agricultores se fizeram ouvir e foi criado o ensino à distância do SENAR e essa conquista é celebrada essa semana. A vida no campo segue um ritmo e uma lógica própria. As necessidades da criação, as chuvas, a semeadura, a colheita. São essas as unidades de tempo do homem do campo. Estudar sem sair da propriedade não é apenas facilidade, mas é a possibilidade de aplicar imediatamente os conceitos aprendidos. O EaD Senar já capacitou gratuitamente mais de 300 mil pessoas para o mercado atual. Adaptar os temas de capacitação para as necessidades correntes é um cuidado que faz a diferença para quem trabalha no campo.

    A responsabilidade é grande. A Ministra Kátia abreu afirmou que “os instrutores do SENAR exercem um papel fundamental na multiplicação das informações que profissionalizam os produtores rurais, influenciando de forma positiva e direta a vida do homem do campo e de suas famílias”. Ela disse, ainda, que “um país, um estado ou um município necessita reconhecer sua vocação para ter sucesso e se desenvolver, e a atividade agropecuária é a principal vocação econômica do Brasil. Nossas Instituições tem cumprido seu papel, qualificando e assistindo o homem do campo em sua atividade agropecuária e contribuindo na construção de sua independência”.

    Parabéns aos trabalhadores rurais por essa conquista!

  • Fruta feia: uma opção para o combate ao desperdício e aumento da renda do produtor rural

    Quando aprendemos a escolher fruta na feira, a primeira coisa que nossa mãe nos ensina é: escolhe a mais bonita. Sem manchas, sem “machucados”, sem marcas de insetos. Uma fruta linda, de vitrine. Sem podermos avaliar sabor e valor nutricional dos vegetais apenas olhando, a beleza exterior se torna o principal fator na hora de decidir qual produto levar.

    Estudo divulgado pela Embrapa em 2000 revelou que perdemos cerca de 30% das frutas produzidas no Brasil e um dos principais motivos é a “feiura” dos alimentos. Seja por algum defeito no desenvolvimento, por transporte ou acomodação inadequados, o fato é que evitar esse desperdício na cadeia produtiva é o modo mais simples de reduzir a fome. Cerca de 10% da população mundial morre de fome todos os anos e recai sobre os ombros do produtor rural a responsabilidade de produzir alimentos com qualidade e de preço acessível para todos.

    Em Lisboa, Portugal, existe uma feira que vende apenas vegetais fora do padrão do supermercado e o resultado é tão bom que os organizadores pretendem expandir para outras cidades. Na França, uma rede de supermercados oferece descontos de até 30% e diz ter vendido 1,2 toneladas de frutas feias. O varejo tem papel importante nesse contexto, ao educar e influenciar os compradores, reduzindo as perdas a um custo muito baixo.

    “Não estamos falando de produtos podres ou inadequados para o consumo, mas sim daqueles que não são perfeitos, mas que todos nós podemos comer normalmente”, disse a ministra Katia Abreu ao divulgar que pretende estimular a comercialização de “frutas feias”. Seguindo uma tendência mundial, a ministra aponta ainda que “estimular a criação de espaços para que o agricultor possa vender diretamente sua produção para o consumidor final é uma alternativa para o combate ao desperdício e o aumento da renda do produtor rural”.

    Sopas, geléias, caldos, purês, sucos. São várias as preparações que podemos fazer com as frutas e legumes feios. A ministra ofereceu a receita de um bolinho de legumes, que ela costumava fazer quando os filhos eram pequenos:

    Bata no liquidificador cerca de 2 xícaras de arroz cozido (pode ser o do dia anterior), com 2 ovos e meia xícara de queijo. Misture com aproximadamente 1 xícara de farinha até obter uma consistência mais firme, mas não muito densa. A partir dessa mistura, pode-se acrescentar os legumes de acordo com a preferência. Abobrinha, cenoura, chuchu e cebola, por exemplo. Faça bolinhas e asse em forno médio por aproximadamente 20 minutos.

  • Jornal francês Le Monde escreve perfil de Kátia Abreu

    O jornal francês Le Monde publicou, na edição de 28 de janeiro, o perfil da ministra Kátia Abreu. Leia a seguir.

    Seus opositores a chamam “A face do diabo’’, os ecologistas “Miss Desmatamento” ou “Miss Motosserra”, seus colegas de trabalho “A Rainha do Agronegócio”. Para a imprensa, ela é “A Dama de Ferro Brasileira” e “A guerreira contra o lobby verde”. O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferia, dizem, enfrentar o demônio do que ela.

    Hoje, Kátia Abreu, 52 anos, três filhos, sendo um deles deputado federal, vestiu a camisa de Ministra da Agricultura do novo governo de Dilma Rousseff. Ela que desempenhou um papel vital na elaboração do novo Código Florestal brasileiro, adotado em 2012 com mudanças a favor dos produtores, transformou-se em uma das figuras políticas mais influentes do país. Também a mais perigosa, de acordo com seus detratores.

    Formada dentro dos partidos mais conservadores, instalada na sede de uma grande propriedade no interior do Tocantins, (centro-norte do Brasil), Kátia Abreu conseguiu a façanha de aparecer como uma das mais próximas colaboradoras da Presidente, porém com outra abordagem ideológica. A sucessora do Lula até mesmo aceitou ser madrinha de seu segundo casamento, previsto para o 1º de fevereiro. Uma aliança de aparência contrária que diz muito a respeito das mutações políticas do momento no país. “Nós aprendemos muito”, afirma a nova Ministra, com o seu discreto sorriso que costuma regularmente finalizar suas frases.

    Eloquência e firmeza

    A ascensão de sua carreira é fulminante. Quando seu primeiro marido, um produtor de sucesso, faleceu em um acidente de avião, Kátia Abreu tinha apenas 25 anos e não conhecia nada de agricultura. Aquela jovem mulher, formada em psicologia, descartou a ideia de se tornar dona de casa e se tornou membro do sindicato rural de sua cidade, Gurupi, para aprender os segredos da terra. Uma vez eleita a líder daquela instituição, ela escalou degraus sem parar.

    No reino dos produtores rurais, Kátia Abreu despontava com sua eloquência, sua firmeza e sua franqueza que as vezes extrapolava. Ela compreendeu rapidamente que com o surgimento dos movimentos ambientalistas da década de 1990, o produtor agrícola perdia a imagem que tinha. “Nós passamos de heróis distantes aos piores vilões, responsáveis pelo desmatamento e pela depredação do meio ambiente. Eu, juntamente com outros, participamos deste trabalho de conscientização e aprimoramento do comportamentos.”

    Em um universo dominado por homens, com estruturas “arcaicas”, Kátia Abreu compreendeu que era preciso modernizar a percepção do agronegócio. Impulsionada pela chefia da Federação da Agricultura de Tocantins, com acesso à mídia, ela pode se dirigir diretamente à opinião pública. Ao mesmo tempo acalmando os produtores mais ferozes, enfrentou o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e organizações de defesa dos povos indígenas. “Os ecologistas não podem ter o monopólio do debate”, afirma.

    Animal político

    O ser politico que se manifesta dentro dela se afirmou e cresceu. Filiada ao Partido da Frente Liberal (PFL), tornou-se a primeira mulher a chefiar o poderoso grupo ruralista, composto por grandes produtores, quando assumiu a cadeira no Parlamento Federal em 2000. Seis anos depois, tomou pose no Senado, quando o PFL passou a se chamar Partido dos Democratas (DEM), um partido de direita. Ela recebeu então a consagração de seus colegas ao ser eleita Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em 2008.

    A hora das mudanças.

    Lula foi reeleito, mas ele e os dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) não priorizaram a questão ambiental. O governo fechou as portas para a ecologista Marina Silva e a barragem de Belo Monte no rio Xingu, um assunto muito polêmico, estava prestes a receber a luz verde de Brasília. Com isso o lobby agrícola marcou pontos e Katia Abreu aproveitou essas oportunidades ao seu favor.

    “Na noite da vitória de Dilma para a presidência de 2010, Kátia Abreu estava em frente da televisão, se recorda uma colaboradora da atual ministra. Quando ela percebeu que todas as regiões agrícolas tinham votado maciçamente contra a protegida do Lula, Katia imediatamente disse que iria até eles.” A senadora acrescentou: “Em política, para se ganhar, nós sempre vamos na direção dos que não gostam de você. “

    “Amizade Direta”

    O futuro conspiraria a seu favor. Nunca antes na história deste país, os candidatos nas eleições de 2014 cortejaram tanto o agronegócio, como enfatizado pelo jornalista Alceu Luís Castilho. Com 23% do PIB e 41% das exportações, o setor agrícola distribuí seus lucros para todos os lados, mesmo com os militantes de esquerda, tradicionalmente contra os produtores. No Parlamento, a bancada ruralista registrou um crescimento de 33%.

    A aproximação entre Dilma Rousseff e Katia Abreu tem atraído fortes críticas dentro do PT, mas também nos círculos mais conservadores. A senadora se filiou ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, centro), o outro pilar de sustentação da coalizão governamental. Discretamente e durante meses a Presidente e Kátia aperfeiçoavam sua estratégia. “Elas começaram a se encontrar desde 2012, afirma alguém próximo da Presidente. Logo uma amizade desenvolveu-se entre essas duas mulheres de poder, longe das festas e contingências políticas.”

    No dia 5 de janeiro, no momento de sua posse, Kátia Abreu defendeu o “diálogo”. No mesmo dia, o jornal Folha de São Paulo publicou uma entrevista da Ministra em que ela aparecia segura de si, interpretando de acordo com seus interesses certas verdades. Ela afirmou que “O latifúndio já não existia mais no Brasil” e que os problemas entre os produtores e os índios existem eles, os índios, “saíram da floresta.” Quando foi questionada por suas declarações a ministra tomou cuidado de amenizar, lembrando que a lei “protege as terras indígenas e pune as grandes propriedades improdutivas”. Sempre com um leve sorriso.

    Fonte: Le Monte

    Por: Nicolas Bourcier

    Tradução: Equipe do site Kátia Abreu

  • Entre o Estado e o cidadão

    O Estado pode fazer muito mais e melhor, independentemente dos recursos à sua disposição. A democracia contemporânea vive difíceis dilemas. As aspirações crescentes de melhoria de vida por parte de todas as sociedades, sejam elas já ricas ou ainda pobres, esbarram na cada vez maior impotência dos Estados nacionais para atender a essas expectativas.

    Quase todos os países do mundo, com uma ou outra exceção, estão se defrontando com perspectivas de baixo crescimento e esgotamento da capacidade fiscal dos seus respectivos governos.

    Hoje, é quase um consenso que os governos não podem mais aumentar os impostos, nem elevar o seu endividamento. Ao contrário, a maioria deles está empenhada em cortar despesas e reduzir o tamanho das dívidas públicas, como condição para liberar o setor privado e tentar reacender o crescimento da economia.

    Dito assim, parece que nos encontramos num beco sem saída. Apesar disso, sabemos que na vida das sociedades não há impasses definitivos e que toda crise leva a alguma solução.

    Se olharmos o funcionamento dos Estados modernos, vamos observar que, para além da questão das receitas e das despesas públicas, o funcionamento dos governos democráticos revela outra sorte de problemas mais difíceis de identificar e de tratar. Problemas que têm a ver com a forma como funcionam os sistemas políticos.

    Tanto o Estado quanto a sociedade são quase uma abstração, quando vistos na sua generalidade. Na verdade, o Estado é ocupado e gerido por homens reais, e a sociedade, quanto mais moderna, mais diversificada é em sua composição, interesses, demandas.

    A democracia representativa, tal como a conhecemos e praticamos, supõe que os canais de representação –Legislativos, partidos e imprensa– transmitem a palavra da sociedade ao braço executivo do governo, com fidelidade, equilíbrio e senso de proporção. Ocorre que, entre um e outro, interpõem-se de forma poderosa os interesses organizados que, legítima e às vezes até ilegitimamente, procuram capturar o Estado em seu benefício.

    Uma parte da ineficiência do Estado em atender às demandas coletivas tal como são formadas nas mentes das pessoas comuns certamente resulta na influência desproporcional que os interesses organizados, de diferentes origens e propósitos, conseguem deter- minar a ação dos governos e dos Parlamentos.

    Muitas vezes, tais interesses agem em detrimento do que se poderia chamar de interesse coletivo ou geral. A ação deles –sejam organizações sindicais, associações empresariais, grandes empresas ou agrupamentos de interesses específicos– é inerente ao funcionamento das democracias e, sob certos aspectos, dá densidade às relações entre o poder e a sociedade.

    Mas, para que não deturpem a ação do Estado, é necessário que ajam com transparência e sob as vistas de todos. Não de forma dissimulada ou clandestina.

    A primeira condição para essa transparência é que o sistema político também seja transparente, porque é sempre por meio dele que aqueles interesses atuam.

    Nesse ponto, é interessante examinar a questão dos partidos políticos. Num sistema de duas ou três legendas, cada uma tem, naturalmente, uma organização mais formal e burocrática e tende a agir em função de maiorias numerosas, tornando mais difícil sua cooptação por interesses externos, alheios à política.

    No Brasil, a excessiva fragmentação partidária –28 legendas com assento no Congresso a partir de 2015– é na maioria dos casos, mas não em todos, uma tentativa de facilitar os processos de cooptação.

    Grupos mais homogêneos de políticos podem se unir para lutar por espaços, influir na formulação de leis e advogar de modo mais efetivo interesses especiais. Essa, evidentemente, não é a única via por onde transitam interesses menos dispostos a atuar à luz do dia. Mas é uma das principais.

    O que eu quero trazer à discussão é que o Estado pode fazer muito mais e melhor, independentemente dos recursos à sua disposição. Além do lado puramente financeiro, o Estado tem muito espaço para se reinventar e um dos mais importantes é uma reforma do sistema político, com foco na eficácia dos serviços que deve prestar à coletividade.

    O debate puramente fiscal é, embora necessário, incompleto.

    *Kátia Abreu, 52, senadora (PMDB/TO) e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), escreve aos sábados nesta coluna.
  • Conflitos intermináveis

    Deve haver uma linha de corte temporal a partir da qual um país possa recomeçar e se reinventar. Um país não pode se tornar refém de conflitos intermináveis. Basta olharmos para a história para constatarmos a violência e as guerras que fundaram e permearam a fundação e a conservação dos Estados. Mudam a intensidade e a forma de encará-los.

    Em todo caso, deve haver uma linha de corte temporal a partir da qual um país possa recomeçar e se reinventar. Determinados problemas valem, por exemplo, até uma determinada data, na qual devem ser equacionados. Se assim não fosse, poderíamos retroceder um conflito qualquer a 40 anos, um século ou talvez cinco. Onde parar?

    Foi baseado nessa sabedoria política que o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do já emblemático caso da terra indígena Raposa Serra do Sol, deci- diu estabelecer o marco temporal da Constituição de 1988 para as demarcações.

    Na mesma ocasião, proibiu também a ampliação de terras indí- genas, pela boa e simples razão de que terras demarcadas demarcam igualmente o seu entorno como não indígena.

    Ocorre que algo tão evidente é objeto de contestações infindáveis por parte de ONGs nacionais e estrangeiras, Ministério Público Federal, Cimi, Funai, além de antropólogos ideológicos, que defendem causas, e não a ciência, e de políticos.

    Particularmente manifesto é o fato de desprezarem a lei, não levando em consideração o que foi decidido e referendado pelo pró- prio Supremo.

    O assunto voltou recentemente à tona por ter uma decisão do STF anulado o reconhecimento de uma área reivindicada como indígena guirarocá, em Mato Grosso do Sul. A justificativa para tal decisão foi a de que, conforme reza a Constituição, a etnia caiová não habitava essas terras desde a década de 1940. Trata-se, tão simplesmente, da aplicação da lei.

    As baterias ideológicas voltaram-se, então, contra o ministro Gilmar Mendes, pelo fato de sua família supostamente ocupar terras indígenas em Mato Grosso do Sul, e, evidentemente, contra os “fazendeiros”, como se esses fossem os algozes dos indígenas.

    Cabe enfatizar que o ministro Gilmar Mendes é um dos mais sérios juristas deste país, cuja obra ultrapassa nossas fronteiras. No Tribunal, sempre pautou sua posição pela estrita aplicação da lei, não sucumbido a pressões como essas que hoje o acometem. Os que contra ele vociferam são os que não possuem o mínimo respeito pelo Estado Democrático de Direito.

    No caso em questão, os “fazendeiros”, para utilizar a linguagem desses que desrespeitam a lei e a verdade, são produtores rurais, com títulos de propriedade reconhecidos. Não são “invasores”.

    Quando obtiveram seus títulos, não havia efetivamente indígenas nessa região. Muito menos em 1988. Note-se que seus títulos foram outorgados pelo Estado brasileiro. Se um título do Estado não vale, o que é que vale então?

    Argumenta-se, agora, que os indígenas foram expulsos de suas terras na década de 1940 por obra do governo Getúlio Vargas. Uma violência teria sido cometida, que deveria, assim, ser reparada.

    Admitamos a validade do argumento, aceitando a sua extrema inconsistência, pois, se fosse esse o critério, deveríamos retroagir à chegada dos portugueses, desapropriando cidades como Porto Seguro, Salvador e Rio de Janeiro. Eis a lógica desse argumento levado ao absurdo.

    Mesmo assim, admitamos a sua validade. Haveria uma reparação a ser feita. Quem deveria pagar por ela? Os “fazendeiros” ou o Estado que expulsou os indígenas da região? Salta à vista que os “fazendeiros” não têm nada a ver com isso, sendo eles, também, vítimas. Cabe ao Estado a responsabilidade por tal situação.

    Isso significa que, se o Estado pretende fazer uma reparação histórica, deve ele fazê-la com seus próprios meios, e não expropriando os produtores rurais.

    A “desapropriação” de terras indígenas paga apenas as benfeitorias, e não a terra nua. Ou seja, o Estado deveria desapropriar ou comprar terras por valor de mercado, pagando em dinheiro. De posse dessas terras, poderia, então, distribuí-las às populações indígenas que se sentem afetadas.

    O que é inadmissível é que se pretenda reparar uma injustiça cometendo outra.

    KÁTIA ABREU, 52, senadora (PMDB-TO), escreve aos sábados nesta coluna, no jornal Folha de S. Paulo.
  • Democracia e verdade fiscal

    Faz-se urgente melhorar a gestão de recursos públicos para evitar o desperdício e reduzir os desvios

    Cresce no mundo o debate sobre o declínio do poder dos governos e os efeitos disso para as relações entre a sociedade e o Estado no regime democrático.

    Ao longo do século 20, cresceu muito o tamanho dos Estados e sua influência na economia e na vida social. Esse processo tem sua causa no aprofundamento generalizado da democracia, especialmente a partir da Segunda Guerra, mas só foi possível porque, até então, impostos e despesas públicas eram baixos em relação à renda nacional. Havia amplo espaço para elevar despesas e as economias estavam em franco crescimento.

    As pessoas têm a tendência de imaginar que as situações favoráveis duram naturalmente.

    Assim, sociedades se convenceram de que o crescimento econômico era o modo padrão de funcionamento das economias e de que novas tecnologias e inovações eliminariam os obstáculos.

    Seguindo essa lógica, o século 21 iniciou-se sob os melhores auspícios, prometendo para os mais ricos a ampliação das fronteiras do bem-estar e, para os mais pobres, rápida convergência aos padrões das sociedades já desenvolvidas.

    Pouco mais de uma década depois, vemos que o crescimento econômico mais se parece com uma lembrança do que com uma promessa. O poder dos governos sobre as economias definhou, sob o peso de severas restrições fiscais. Algo deu errado e isso parece ter surpreendido a todos.

    No mundo e no Brasil, o crescimento econômico tornou-se mais difícil. As populações pararam de crescer e a proporção entre população ativa e empregada e população total diminui progressivamente. Para piorar, a capacidade multiplicadora do progresso técnico também parece menor em relação aos grandes saltos de produtividade que ocorreram no passado. Os Estados parecem ter se aproximado do limite, seja para extrair impostos da sociedade, seja para continuar elevando o endividamento.

    Em 1960, França, Alemanha e Itália tinham gastos públicos ao redor de 32% do PIB, o Japão de 17% e os Estados Unidos, com Guerra Fria e tudo, não gastavam mais do que 27%. Hoje, França e Itália gastam mais que 50% do PIB, o Japão, 43%, e os Estados Unidos, 40%.

    Como a arrecadação de impostos tem também um limite, esses países passaram a apresentar grandes deficits orçamentários, que se traduziram em enorme acumulação de dívida pública.

    A dívida da França equivale a 116% do PIB; a da Itália, a 147%; do Japão, a 230%, e dos Estados Unidos, a 106% do PIB. Pedir a esses governos que gastem mais seria abandonar, de vez, os laços com a realidade.

    O Brasil não seguiu trajetória diferente. Em 1960, final dos anos JK, nossa carga tributária não passava de 17,4% do PIB e nossas despesas públicas totais não ultrapassavam 20% do PIB. E começavam os deficits! Hoje, nossa carga tributária chegou a 35% do PIB e as despesas públicas passam de 40%, gerando um deficit em torno de 5% do PIB.

    A dívida bruta, como não podia deixar de ser, já passou de 60% do PIB. Ainda é menor do que a dos países ricos, mas com a diferença de que aqueles financiam suas dívidas pagando juros quase que negativos.

    Todos esses números nos levam a pensar se a maioria dos Estados relevantes economicamente, entre os quais o Brasil, não chegou realmente ao limite de sua capacidade de aumentar gastos. O bom senso e a razão parecem dizer que sim. E agora?

    Aqui, a sociedade está sempre e cada vez mais achando que os serviços públicos que o Estado lhes presta são poucos e de baixa qualidade. Seria preciso gastar mais com saúde, educação, segurança, infraestrutura, combate às desigualdades. Como isso será possível? Vamos aumentar os já altos impostos ou elevar a dívida pública, que nos custa mais de 5% do PIB?

    É preciso crescer para melhorar substancialmente nossa situação fiscal. Também se faz urgente melhorar a gestão dos recursos públicos para evitar o desperdício e reduzir os desvios, a exemplo da iniciativa privada.

    É dever da política tratar a sociedade de modo responsável. E só podemos fazer isso dizendo toda a verdade. Mesmo porque, sem a compreensão e o apoio da sociedade, nenhum governo é capaz de tratar essa questão.

    KÁTIA ABREU, 52, senadora (PMDB-TO), escreve aos sábados nesta coluna, no Jornal Folha de São Paulo.
  • Quanto pode o Estado?

    Atrás de cada gasto público alinham-se interesses diretos e indiretos, que vão reagir; impossível agradar a todos

    Qualquer pessoa que se disponha a examinar o panorama das democracias contemporâneas vai perceber duas coisas: o crescimento ininterrupto das demandas que as populações colocam para o Estado e a evidente e cada vez maior incapacidade do Estado de satisfazer essas demandas. Do encontro dessas duas realidades antagônicas, nasce um visível e perigoso mal-estar com a democracia e as instituições.

    Ao empurrar os Estados desenvolvidos para o limite extremo de sua capacidade de gastar e de intervir, a crise financeira de 2008 expôs a fragilidade a que chegaram os regimes de bem-estar social. Agora, aos poucos vai se formando um consenso de que, para preservar a democracia e a harmonia social, será preciso reinventar o Estado e os governos, bem como renegociar o contrato social que está implícito no funcionamento das democracias de massa contemporâneas.

    Em nenhum Estado moderno há ainda espaço político para aumento expressivo de impostos e elevação do endividamento. Além de insustentável em termos financeiros, isso pode significar um verdadeiro assalto às gerações futuras, que serão chamadas a pagar mais impostos contando com menos serviços, para pagar as dívidas que lhes deixaram seus pais.

    A pergunta que se apresenta é: os sistemas políticos democráticos serão capazes de, na ausência de algum choque desestabilizador, realizar uma tarefa dessa dimensão? A maioria das pessoas sensatas é pessimista quanto a isso.

    A relação entre governo e sociedade nas democracias neste início de século está se tornando complexa e turbulenta. A grande promessa da democracia a partir do fim da Segunda Guerra Mundial era que o Estado propiciaria uma melhoria constante no padrão de vida de todos e que o crescimento econômico seria o modo padrão de funcionamento das economias. Isso foi verdade durante quase 50 anos.

    Mas os fatores que produziram o alto crescimento das últimas décadas esgotaram-se e é muito possível que estejamos ingressando numa fase de crescimento estruturalmente mais baixo.

    Se é assim, temos de nos preparar para mudanças em vários campos da vida, inclusive no papel e no modo de atuação do Estado.

    O Brasil, querendo ou não, participa da mesma sorte do mundo. Por isso, temos de ser honestos conosco e com os cidadãos e reconhecer que os recursos do Estado brasileiro estão muito próximos de seu limite. Eles não são suficientes para atender a todas as demandas que surgem na sociedade e são processados sem nenhum senso crítico pelo nosso sistema político.

    A política, infelizmente, tem sido uma mera vocalizadora das pressões sociais, não se atrevendo nunca a avaliá-las e qualificá-las. Todos tremem diante da invocação de um novo direito e se esquecem de que tudo que for concedido tem, antes, que ser produzido.

    A grande maioria da população não parece disposta a pagar mais impostos. Mas, contraditoriamente, as mesmas maiorias reclamam mais e melhores serviços públicos, o que implica mais gastos públicos. Nossa dívida pública bruta já é elevada e, portanto, já passou da hora de a sociedade e o sistema político se prepararem para a difícil tarefa de fazer escolhas.

    Atrás de cada gasto público alinham-se muitos interesses diretos e indiretos, que vão reagir. Mas agradar a todos durante todo o tempo é impossível. Aumentar todos os gastos e não diminuir nenhum é o caminho mais curto para o colapso fiscal, a inflação e a desorganização da economia.

    Os psicólogos modernos nos ensinam que a imagem que as pessoas fazem do mundo é, frequentemente, muito diferente da realidade. A tarefa de um sistema político virtuoso é ser uma espécie de tradutor dessas complexidades e mediador do diálogo permanente entre as instituições e o povo. Sempre que têm acesso à verdade, as sociedades são capazes de sacrifícios e renúncias, de que o mundo moderno já deu tantas provas.

    Para diminuir a distância entre o possível e o impossível, e mesmo para tornar possível o desejável, os políticos no Brasil precisam tomar consciência da realidade e ter a coragem de agir em consonância com ela.

    KÁTIA ABREU, 52, senadora (PMDB-TO), escreve aos sábados nesta coluna, no Jornal Folha de São Paulo.
  • Comércio e política

    O Brasil é um dos poucos países que podem responder às necessidades de importação da Rússia

    Por mais que a retórica oficial insista em todos os foros internacionais que o comércio deve ser neutro em relação à política, não há como não ver que o comércio é uma poderosa arma de política externa e que os países mais relevantes da cena mundial não se cansam de usá-la. Vejamos o que se passa com a Rússia.

    Logo após os tumultos políticos envolvendo Rússia e Ucrânia, os Estados Unidos e a União Europeia impuseram aos russos um conjunto extenso de sanções econômicas, da restrição de exportações para empresas russas de energia e de equipamentos de defesa a severas restrições a transações financeiras que estão ferindo profundamente o país, muito dependente do sistema financeiro internacional.

    Em resposta, o governo russo, em vez de mobilizar suas forças armadas (ainda bem!), decidiu enfrentar essa nova modalidade de guerra fria com os instrumentos do comércio: impôs embargo à impor- tação de carnes, peixes, leite e derivados, frutas e vegetais dos Estados Unidos, da UE, do Canadá, da Austrália e da Noruega.

    Não se trata de um negócio pequeno. A Rússia é um grande país, com população de 144 milhões de habitantes e um PIB de US$ 2 trilhões. Importa cerca de US$ 318 bilhões ao ano.

    No agronegócio, é o quinto maior importador mundial, ao comprar mais de US$ 44 bilhões/ano. Para ter uma ideia do tamanho e da importância desse mercado, basta que se diga que os russos importam 40% de todos os alimentos que consomem. Para produtores rurais de toda parte, o mercado russo foi sempre um grande objeto de desejo.

    O Brasil sempre esteve presente ali, apesar de inumeráveis dificuldades de ordem burocrática e sanitária, pois os russos sempre monitoraram criteriosamente o acesso a seu precioso mercado.

    Nos últimos cinco anos, o agronegócio brasileiro foi responsável por cerca de 95% das nossas exportações à Rússia, somando em média US$ 3 bilhões/ano. Isso contribui para um saldo comercial total expressivo, que já chegou a ultrapassar US$ 1 bilhão. Mas a verdade é que os maiores fornecedores do mercado russo sempre foram os europeus, que agora viram essas portas subitamente se fecharem.

    Todos sabemos que os governos não brincam quando o assunto é a garantia da oferta de alimentos à população. Ao fazer dos produtos alimentares o objeto das sanções contra europeus e americanos, o governo russo sabia que estava ferindo interesses muito importantes e difusos nesses países, causando danos econômicos a comunidades extensas de produtores.

    Escolheu um alvo que terá custos políticos relevantes nos países afetados. Mas, por certo, também calculou que poderia substituir facilmente esses países por novos parceiros que teriam capacidade e disposição de preencher o vazio que se abria. Caso contrário, provocaria crise no abastecimento de produtos básicos, abalando seu apoio político interno e a estabilidade econômica.

    O mundo não tem muitos países capazes de responder rapidamente a uma oportunidade como essa. O Brasil é um dos poucos. Se falharmos, a Rússia estará em apuros. Mas estamos respondendo, ao menos em parte.

    No caso das carnes, nossas vendas deram enorme salto no último trimestre. Comparando agosto de 2013 com agosto de 2014, as vendas de carne bovina cresceram 21%, as de carne suína 82%, e as de carne de frango 50%.

    Em setembro, a alta foi maior: 23% a mais de carne bovina, 227% de carne de frango e 173% de carne suína. E são valores altos. Somente em setembro, a soma desses três itens chegou a US$ 533 milhões.

    O mesmo se deu com as frutas. Quase não exportávamos e, só em setembro deste ano, vendemos 500 toneladas de bananas, 132 de mangas e 67 de uvas, abrindo, ainda que timidamente, um imen- so mercado.

    Resta-nos, agora, o desafio de exportar leite, manteiga e queijo, demandados em grandes volumes e antes supridos por produção europeia. Com audácia e competência, poderemos nos tornar em lácteos também um grande produtor mundial.

    Isso tudo mostra que, apesar das dificuldades e das crises, a capa- cidade do agro brasileiro de criar riqueza ainda tem muito campo pela frente.

    KÁTIA ABREU, 52, senadora (PMDB-TO), escreve aos sábados nesta coluna, no Jornal Folha de São Paulo.
  • Diálogo

    Dialogar será um sinal de maturidade política e abrirá sólidos caminhos para a estabilidade

    Eleição ou reeleição abrem sempre um novo ciclo na vida nacional, com mudanças a serem apresentadas e com políticas públicas acertadas sendo preservadas. Inaugura-se todo um período de reflexão e de ação, dando tempo para que as novas ideias possam ser elaboradas e realizadas. É um ritual único na vida de uma nação e assim deve ser encarado.

    O clamor das eleições, que ocupou o país nos últimos meses, deu lugar ao debate de novas propostas, e não só a acusações e denúncias. É fundamental reconhecer que a luta pelo poder eventualmente deriva para excessos que, agora, devem ser contornados. O país está acima de todos nós e dos mais diversos interesses particulares e partidários.

    Não foi outro o propósito da presidente da República, ao fazer um chamamento nacional pela união e pelo diálogo. Portou-se como estadista, agindo com princípios republicanos. Teria sido fácil acirrar os conflitos, visto que se encontrava na posição de vitoriosa. Em vez disso, optou pela conciliação e pelo desarmamento dos espíritos.

    Carece de qualquer sentido, diante desse chamamento presidencial, iniciar uma espécie de “terceiro turno”, como se a eleição não tivesse terminado. Há o tempo da luta, há o tempo da paz. A paz, no entanto, não é a paz silenciosa dos cemitérios, mas a do espaço público do debate e, sobretudo, do trabalho.

    Infelizmente, o Brasil está por demais acostumado a disputas exacerbadas que, não raro, flertam com calúnias e difamações. É como se a luta pelo poder devesse resultar no aniquilamento do adversário, considerado como um inimigo. Há valores e princípios republicanos que se situam –e assim devem se situar– acima dos contenciosos particulares.

    A presidente da República, embora reeleita, mereceria um período de trégua, normalmente concedido a qualquer novo mandatário. Mas não foi isso que ela demandou em sua manifestação. Ao contrário, pediu apenas união.

    Coerente com sua atitude, chamou os adversários para o diálogo. Já o havia feito, quando de seu discurso de vitória, após o resultado. Como se não tivesse sido bem entendida, posteriormente, nominou diretamente Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) e os convidou para a construção da unidade.

    Como em qualquer negociação, há pontos convergentes e divergentes. Reza a boa prática realçar e privilegiar aquilo sobre o que concordamos, abrindo caminho para o entendimento e, sobretudo, para a confiança. Os pontos divergentes serão, posteriormente, objeto de discussões e reelaborações, pois o bem público deve ser o nosso objetivo maior como políticos que somos.

    Países de tradição democrática sólida e antiga costumam agir dessa maneira, mantendo sempre um clima de distensão e de colaboração em prol de valores maiores, mesmo nos períodos mais difíceis. Propostas devem estar sempre à mão. Isso, no entanto, exige um clima de cooperação e diálogo, de união nacional.

    Dialogar será um sinal de maturidade política e abrirá sólidos caminhos para que o crescimento e o desenvolvimento do país tenham estabilidade e sustentabilidade social e econômica. O Brasil é um celeiro de quadros técnicos e éticos da maior qualidade, na situação e na oposição, que juntos podem construir soluções para os maiores problemas do país. Não é hora de isolamento. É hora de união.

    Momentos de união exigem atitude de estadista.

    O chamamento da presidente corresponde, precisamente, a essa atitude, que traduz humildade e responsabilidade para com o país. Espera-se, da oposição, uma resposta positiva a esse convite. O Brasil precisa de todos.

    KÁTIA ABREU, 52, senadora (PMDB-TO), escreve aos sábados nesta coluna, no jornal Folha de S. Paulo.
  • O Brasil do novo G7

    Temos tudo para manter a nossa boa posição no ranking das maiores economias do planeta

    O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou, no dia 7, o World Economic Outlook, panorama econômico mundial, com os dados atualizados do Produto Interno Bruto dos países em termos de paridade do poder de compra: o chamado PIB PPP. A grata surpresa foi a conclusão do jornal “Financial Times” feita com base nos novos números.

    Segundo os cálculos, o Brasil continua em sétimo lugar, com o PIB PPP de US$ 3,1 trilhões. Ao mesmo tempo, um novo “G7 emergente”, formado pelos quatro fundadores do bloco Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) e mais três do chamado bloco Mint (México, Indonésia e Turquia), ultrapassou o tradicional grupo dos sete países mais ricos em termos de PIB PPP.

    Diferentemente do PIB medido em termos cambiais, apenas convertendo-o em dólares norte-americanos, o PIB PPP expressa o que é possível comprar em valores das moedas locais.

    Pela metodologia da paridade do poder de compra, o PIB da China já ultrapassa o dos Estados Unidos. O país asiático alcançou, portanto, o status de maior economia do mundo, com US$ 17,6 trilhões em riquezas. O PIB PPP norte-americano é avaliado em US$ 17,4 trilhões.

    O novo G7 responde, no conjunto, por um PIB PPP de US$ 37,8 trilhões. Isso é quase 10% mais do que o resultado econômico acumula- do pelo conceitual Grupo das 7 nações mais prósperas, que une os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, a França, o Reino Unido, o Canadá e a Itália. Os ricos somam US$ 34,5 trilhões.

    A posição no ranking do PIB PPP afeta diretamente a atratividade de um país para os investidores estrangeiros, pois representa o tamanho de seu mercado. O Brasil tem agora o desafio de segurar a sétima posição nessa lista.

    O mundo deve crescer 3,3% em 2014 e 3,8% em 2015, conforme divulgado pelo FMI. Mas, se por um lado o país não está acompanhando esse ritmo, temos vantagens singulares, que são privilégio de poucos.

    Afinal, uma série de conflitos armados, divergências e sanções políticas e econômicas afeta o cenário global. O avanço do Estado Islâmico, o conflito entre Israel e Palestina e a situação da Ucrânia, que polariza as relações da Rússia com EUA, União Europeia, Canadá, Austrália e Japão, resultam em troca de sanções econômicas.

    Há, ainda, várias disputas territoriais no Leste da Ásia e em outras partes do mundo. Diferentes países dos vários continentes também padecem com guerras civis e em razão de confrontos com o narcotráfico e terroristas.

    No mundo em conflito, o Brasil é poupado. Das dez maiores economias mundiais em termos do PIB PPP, ao lado da China, EUA, Índia, Japão, Alemanha, Rússia e Reino Unido, o nosso país é o mais estável no que se refere ao quadro político e à paz.

    Nossas exportações devem seguir fechando na casa dos US$ 240 bilhões neste ano. Segundo o índice da Heritage Foundation de 2013, o grau de abertura comercial do Brasil ainda está ligeiramente abaixo da média mundial: 69,7 para o Brasil, ante 74,6 para o mundo.

    Mas o agronegócio brasileiro é altamente competitivo. Temos um grande potencial de crescimento, uma vez que a demanda mundial por alimentos aumenta de forma constante. De janeiro a setembro deste ano, as exportações brasileiras de produtos do agronegócio somaram US$ 75,9 bilhões e o saldo da balança do setor foi positivo em US$ 63,2 bilhões.

    Não há, portanto, razão para que sejamos contaminados pelo pessimismo. Num cenário sem guerras, catástrofes e disputas territoriais com nações vizinhas, não há dificuldade que não possamos vencer. Ainda que o cenário externo não seja propriamente um mar de rosas, não vivenciamos nenhuma crise econômica insuperável.

    O ambiente político estável nos permite, com poucos ajustes estruturais, reverter o quadro econômico para voltarmos a crescer em ritmo acelerado. Temos tudo para manter a nossa boa posição no ranking das maiores economias do planeta. E melhor: nada nos proíbe de sonhar e de agir para que pos- samos galgar posição ainda mais relevante.

    KÁTIA ABREU, 52, senadora (PMDB-TO), escreve aos sábados nesta coluna do jornal Folha de S. Paulo.

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