• Ações no MAPA 2015: Agronegócio mais fortalecido

    Os últimos meses aqui no Ministério da Agricultura foram de um trabalho intenso, mas com o fim do ano chegando, acredito que posso dizer que o saldo está sendo positivo, especialmente no mês de novembro. Foram várias reuniões, encontros, viagens e conversas com o objetivo de melhorar o cenário da agropecuária brasileira e alavancar a colaboração que este setor pode oferecer ao Brasil. Vencemos barreiras, abrimos mercados e recuperamos relações comerciais que estiveram interrompidas por muitos anos.

    Dois projetos, especialmente, me são muito queridos e demonstram o compromisso de toda a equipe em cumprir nossos objetivos. O primeiro é resultado de uma parceria entre o MAPA e o Ministério do Planejamento, que tem o objetivo de modernizar a gestão do poder público brasileiro. Já falei diversas vezes que a burocracia tem sua função, mas não pode ser utilizada como desculpa para a morosidade nos processos administrativos e a adesão do MAPA no Processo Eletrônico Nacional é um marco do qual me orgulho.

    O Sistema Eletrônico de Informações – SEI, é uma iniciativa que está sendo implementada em 57 órgãos e no MPOG já diminuiu em 46%, aproximadamente R$ 2,2 milhões, os custos administrativos, além de reduzir de 77 para 31 dias a tramitação de processos. Aqui no MAPA a parceria já economizou R$ 6 milhões apenas na fase de desenvolvimento e instalação, por não ser necessária a contratação de empresa prestadora destes serviços.

    O desenvolvimento do Matopiba é outro projeto que me é muito caro, por ter enorme potencial de revolução social no Tocantins, estado que ofereceu tantas oportunidades na minha vida profissional e que permitiu que eu pudesse criar minha família com tranquilidade. A região do Matopiba tem mais de 200 mil famílias de agricultores em situação de extrema pobreza, mesmo com muita terra para plantar. Com a colaboração da Universidade Federal do Tocantins – UFT, a iniciativa privada e o governo federal – representado pelo MAPA, acredito que podemos transformar positivamente a região, fortalecendo a pesca e as comunidades tradicionais que ali vivem. Uma das premissas de qualquer projeto que envolva o Matopiba é que as pessoas que são da região tenham condições de melhorar de vida e poder articular para que isso aconteça é uma das razões pelas quais decidi seguir uma carreira pública, anos atrás.

    Já na esfera econômica, é inegável que novembro foi um mês profícuo para o agronegócio. Os acordos comerciais celebrados com mercados internacionais trazem o reforço que o atual momento econômico precisa. China, Índia, Arábia Saudita Estados Unidos e México são apenas alguns países que possuem alimento brasileiro nas prateleiras de seus supermercados e nas bancas das feiras. Além de commodities, estamos negociando exportação de produtos processados, o que pode aumentar o valor recebido pelo agricultor brasileiro.

    A caminhada é árdua e nem sempre tranquila, mas com o esforço de todos nós, continuamos andando para a frente. A minha confiança em apresentar a agropecuária brasileira vem do suporte de todos vocês, que fazem o melhor e me dão o apoio necessário para, com confiança, seguir em busca de melhores oportunidades para todos os brasileiros. Vamos em frente.

  • Uma viagem inevitável

    O agronegócio brasileiro tem trajetória brilhante, mas para manter esse padrão não podemos ficar alheios a acordos internacionais.

    A economia e o comércio mundiais passam por ampla transformação. A globalização dos mercados e a interconexão das cadeias produtivas são os pilares desse processo –ao que o Brasil não está alheio, mas ainda está aquém de seu potencial de participação.

    Nossa formação, que poderíamos chamar de cultura do subdesenvolvimento, legou ao país uma atitude defensiva em relação aos países desenvolvidos, má herança de que nos empenhamos em nos desfazer.

    É inegável que ao longo de quase todo o século 20 crescemos muito, mesmo sem o apoio do comércio externo, pois o interno bastava. Desde então, o Brasil e o mundo mudaram radicalmente, sobretudo nos últimos 30 anos.

    Na conjuntura econômica que atravessamos, a tendência natural é nos assustar com uma longa lista de problemas que reclamam solução urgente. Mas a experiência e a sabedoria nos ensinam que querer enfrentar todos os problemas de uma só vez resulta em não resolver nenhum deles. A saída é fazer escolhas –e mudar nosso setor externo é certamente uma delas.

    Os mais realistas nos ensinam que tanto o gasto público como o consumo das famílias estão esgotados como fonte de crescimento econômico. Para crescer dependeremos do investimento privado e das exportações. Em nosso tempo, nenhum país conseguiu chegar a níveis altos de renda por habitante sem integrar-se ao comércio internacional de bens e serviços.

    O Brasil está longe de esgotar seu potencial nesse setor. Temos o sétimo PIB do mundo, mas, em valor de exportações, somos o 25º. Quanto às importações, nosso coeficiente em relação ao PIB é de 13,5%. Para mudar essa realidade, será preciso rever conceitos.

    O comércio internacional nunca foi território de amenidades. Todos os países aspiram a uma posição forte e dominante. Ultimamente, porém, está se formando uma consciência de que os conflitos devem ceder lugar a parcerias.

    Elas se apresentam como Acordos Preferenciais de Comércio, arranjos regionais destinados a facilitar e incrementar o intercâmbio sob a forma tradicional de redução de barreiras tarifárias e não tarifárias e por meio de um esforço de harmonização de normas e regulamentações para aprimorar o fluxo de bens, serviços e investimentos.

    Quase todas as economias estão vivendo em regime de baixo crescimento interno, por isso o apelo à demanda externa e às exportações.

    Essas parcerias até há pouco pareciam mero discurso político, mas o que estamos vendo é seu rápido progresso, vencendo obstáculos que pareciam insuperáveis. Nesse quadro, o Brasil já constatou que precisa reciclar-se.

    Em estudo recente, produzido pela Fundação Getúlio Vargas, constatou-se que a adesão do Brasil a esses acordos pode resultar em aumentos expressivos de nossas exportações: de 20% para a União Europeia, de 10% para os Estados Unidos e de 12% para a China.

    O agronegócio brasileiro tem trajetória brilhante, garantindo há décadas o superavit da balança de pagamentos e nossas reservas cambiais. Mas para que esse padrão não se comprometa, não podemos ficar – e não estamos – alheios a acordos como os que se articulam no Pacífico e no Atlântico.

    Por outro lado, é preciso que a indústria se integre às cadeias globais de suprimento, que são a forma contemporânea de funcionamento desse setor em âmbito global. Ela terá meios que facilitarão esse processo, pois grande parte é formada de multinacionais que têm capital e estrutura para a competição global.

    Ainda de feitio autenticamente doméstico, a indústria brasileira vai aumentar sua competitividade se tiver acesso a bens de capital e insumos importados de qualidade e baixo preço. Aumentar a produtividade no setor industrial e no de serviços é essencial –e a abertura para o exterior é o melhor caminho.

    O Brasil, em suma – e aí não apenas o governo, mas o setor produtivo e a sociedade –, começa a tomar consciência de seus interesses estratégicos, sem se iludir por interesses de curto prazo. Isso não exclui nossos parceiros do sul, mas abre preciosa oportunidade para que embarquem conosco nessa viagem, que não há como ser evitada.

    Artigo publicado na Folha de S. Paulo – Tendências e Debates – em  02 de setembro de 2015.

  • ead Senar – Uma conquista do produtor rural

    A educação pode mudar a existência de uma pessoa. O estudo é essencial para avançar na vida, não apenas na profissão, mas enquanto pessoa. Assimilar experiências expande os horizontes e permite que se possa enxergar o mundo sob uma ótica totalmente nova: a de séculos de conhecimentos acumulados pela humanidade. A criação do SENAR foi uma vitória da agricultura, que reuniu no mesmo objetivo o governo, a iniciativa privada e os trabalhadores rurais, com igual poder de decisão sobre os rumos da formação profissional rural, sob a ótica das necessidades do mercado.

    Os tempos mudaram, mais uma vez, os agricultores se fizeram ouvir e foi criado o ensino à distância do SENAR e essa conquista é celebrada essa semana. A vida no campo segue um ritmo e uma lógica própria. As necessidades da criação, as chuvas, a semeadura, a colheita. São essas as unidades de tempo do homem do campo. Estudar sem sair da propriedade não é apenas facilidade, mas é a possibilidade de aplicar imediatamente os conceitos aprendidos. O EaD Senar já capacitou gratuitamente mais de 300 mil pessoas para o mercado atual. Adaptar os temas de capacitação para as necessidades correntes é um cuidado que faz a diferença para quem trabalha no campo.

    A responsabilidade é grande. A Ministra Kátia abreu afirmou que “os instrutores do SENAR exercem um papel fundamental na multiplicação das informações que profissionalizam os produtores rurais, influenciando de forma positiva e direta a vida do homem do campo e de suas famílias”. Ela disse, ainda, que “um país, um estado ou um município necessita reconhecer sua vocação para ter sucesso e se desenvolver, e a atividade agropecuária é a principal vocação econômica do Brasil. Nossas Instituições tem cumprido seu papel, qualificando e assistindo o homem do campo em sua atividade agropecuária e contribuindo na construção de sua independência”.

    Parabéns aos trabalhadores rurais por essa conquista!

  • Fruta feia: uma opção para o combate ao desperdício e aumento da renda do produtor rural

    Quando aprendemos a escolher fruta na feira, a primeira coisa que nossa mãe nos ensina é: escolhe a mais bonita. Sem manchas, sem “machucados”, sem marcas de insetos. Uma fruta linda, de vitrine. Sem podermos avaliar sabor e valor nutricional dos vegetais apenas olhando, a beleza exterior se torna o principal fator na hora de decidir qual produto levar.

    Estudo divulgado pela Embrapa em 2000 revelou que perdemos cerca de 30% das frutas produzidas no Brasil e um dos principais motivos é a “feiura” dos alimentos. Seja por algum defeito no desenvolvimento, por transporte ou acomodação inadequados, o fato é que evitar esse desperdício na cadeia produtiva é o modo mais simples de reduzir a fome. Cerca de 10% da população mundial morre de fome todos os anos e recai sobre os ombros do produtor rural a responsabilidade de produzir alimentos com qualidade e de preço acessível para todos.

    Em Lisboa, Portugal, existe uma feira que vende apenas vegetais fora do padrão do supermercado e o resultado é tão bom que os organizadores pretendem expandir para outras cidades. Na França, uma rede de supermercados oferece descontos de até 30% e diz ter vendido 1,2 toneladas de frutas feias. O varejo tem papel importante nesse contexto, ao educar e influenciar os compradores, reduzindo as perdas a um custo muito baixo.

    “Não estamos falando de produtos podres ou inadequados para o consumo, mas sim daqueles que não são perfeitos, mas que todos nós podemos comer normalmente”, disse a ministra Katia Abreu ao divulgar que pretende estimular a comercialização de “frutas feias”. Seguindo uma tendência mundial, a ministra aponta ainda que “estimular a criação de espaços para que o agricultor possa vender diretamente sua produção para o consumidor final é uma alternativa para o combate ao desperdício e o aumento da renda do produtor rural”.

    Sopas, geléias, caldos, purês, sucos. São várias as preparações que podemos fazer com as frutas e legumes feios. A ministra ofereceu a receita de um bolinho de legumes, que ela costumava fazer quando os filhos eram pequenos:

    Bata no liquidificador cerca de 2 xícaras de arroz cozido (pode ser o do dia anterior), com 2 ovos e meia xícara de queijo. Misture com aproximadamente 1 xícara de farinha até obter uma consistência mais firme, mas não muito densa. A partir dessa mistura, pode-se acrescentar os legumes de acordo com a preferência. Abobrinha, cenoura, chuchu e cebola, por exemplo. Faça bolinhas e asse em forno médio por aproximadamente 20 minutos.

  • Reconhecimento: Sancionado o Dia do Técnico Agrícola

    Na última quarta, foi publicada no Diário Oficial da União a Lei nº 13.099, de 27/1/2015, que institui o Dia do Técnico Agrícola, a ser comemorado anualmente no dia 5 de novembro. O técnico agrícola atua na implantação e gerenciamento de sistemas de controle de qualidade na produção, identificando e aplicando as técnicas mais adequadas aos diversos tipos de culturas.

    Para a Ministra Katia Abreu “a ascensão social do homem do campo se dá pelo acesso a assistência técnica” e a instituição do Dia do Técnico Agrícola é um passo na direção da valorização deste profissional, responsável por aplicar a tecnologia existente junto aos produtores rurais.

    Os técnicos agrícolas são requisitados desde a agricultura familiar até o grande produtor e existe uma carência enorme de profissionais nessa área, que são considerados qualificados para o trabalho após cursos técnicos de até 3 anos a depender da especialização, se em agricultura ou agropecuária. Recursos garantidos pela Ministra junto ao Governo Federal garantiram a formação de cerca de 5000 profissionais no Tocantins.

    A Ministra vem reivindicando a construção de Escolas Técnicas Rurais por todo o estado do Tocantins, com o objetivo de aumentar a oferta de técnicos em agricultura. Segundo ela “nós produziremos tecnologia, produziremos inovação, mas também mão de obra especializada para atender a demanda da região” e ainda destaca: “estamos criando possibilidades reais para que nossos jovens e produtores rurais possam se capacitar e aumentar a produtividade e o lucro nos seus negócios”.